Na ONU, o presidente iraniano Pezeshkian rebateu as ameaças de Donald Trump de "aniquilar" o país, afirmando que o Irã não cederá a pressões e negando ser o agressor no conflito. A tensão central envolve o Estreito de Ormuz e bloqueios navais, afetando o tráfego global de petróleo e elevando preços, agravados por ações no Mar Vermelho. Apesar das hostilidades mútuas, mediadores conduziram contatos indiretos entre Teerã e Washington nos bastidores da Assembleia Geral para tentar abrir diálogo.
Em seu discurso, Pezeshkian mencionou o aiatolá Ali Khamenei, afirmando que ele foi "assassinado sem qualquer justificativa ou respaldo legal".
O Irã não tolerará que o Estreito de Ormuz seja utilizado para "agressões" contra o país nem para "espalhar a insegurança" na região, advertiu o presidente iraniano.
"Eles impediram nosso acesso às nossas próprias águas territoriais", declarou o líder, referindo-se aos Estados Unidos, que, segundo ele, utilizam simultaneamente "mísseis e tecnologias letais para semear a insegurança em toda a região que faz fronteira com essa hidrovia".
Resposta às ameaças de Trump
Em resposta a Donald Trump, que na véspera ameaçou "aniquilar" o Irã, Pezeshkian afirmou que "a resistência do povo iraniano só se fortalecerá diante das sanções, da pressão crescente e das ameaças".
Na terça-feira (22), Trump declarou à Assembleia Geral da ONU que tinha "uma grande decisão a tomar: buscar um acordo com o Irã ou aniquilar a República Islâmica".
"Nunca fomos agressores. Nunca iniciamos uma guerra", insistiu o presidente iraniano, nesta quarta-feira. Pezeshkian é a mais alta autoridade de Teerã a visitar os Estados Unidos desde o início do conflito, deflagrado no fim de fevereiro por bombardeios israelenses e americanos.
Estreito de Ormuz continua no centro da crise
A reabertura do estratégico Estreito de Ormuz continua no centro das tensões entre Teerã e Washington.
O tráfego na hidrovia, por onde transitava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes da guerra, foi severamente afetado pelas medidas adotadas pelo Irã desde o início do conflito.
Em resposta, os Estados Unidos mantêm o bloqueio aos portos iranianos e ampliam a pressão econômica sobre Teerã, na tentativa de enfraquecer financeiramente o país.
Apesar do tom duro adotado pelos dois lados, o presidente americano também anunciou a retomada do diálogo com o Irã. Segundo o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, contatos indiretos entre autoridades iranianas e americanas ocorreram ao longo de grande parte do dia por meio de mediadores, à margem da Assembleia Geral da ONU.
Impactos globais e alta do petróleo
As preocupações com os impactos econômicos globais do conflito aumentaram nas últimas semanas devido ao apoio da República Islâmica aos rebeldes houthis no Mar Vermelho. Os houthis consolidaram seu controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas para o comércio mundial de petróleo, contribuindo para uma nova alta dos preços do petróleo.
Com AFP