Banimento de canais é estratégia de Trump para reforçar sua base, diz jornalista franco-americano

Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), o presidente dos EUA, Donald Trump, buscou reafirmar a "força" do país no cenário global. Entretanto, internamente, o republicano vem enfrentando pressão e queda de popularidade. Nos últimos dias, ele lançou uma nova batalha contra a imprensa local ao banir da Casa Branca três veículos de comunicação. Em entrevista à RFI, Olivier Knox, ex-presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, avalia que o episódio revela o "contexto de frustração" do governo Trump, que "busca energizar sua base".

22 set 2026 - 15h28
Resumo
Donald Trump baniu CNN, MS Now e Politico da Casa Branca, ação vista pelo jornalista Olivier Knox como manobra para energizar sua base em meio à queda de popularidade. Em protesto, outras grandes redes abandonaram a cobertura presidencial, enquanto os veículos vetados acionaram a Justiça por violação da Primeira Emenda. Em paralelo, Trump discursou na ONU exaltando seu governo, prometendo paz entre Ucrânia e Rússia e anunciando a construção de duas bases militares na Groenlândia.

Na última sexta-feira (18), Donald Trump anunciou que CNN, MS Now e Politico estavam impedidos de acessar a Casa Branca. Ele acusa estes canais de disseminar informações falsas e afirma que isso "constitui uma ameaça à segurança nacional". Olivier Knox correlaciona a decisão com o atual momento político do presidente norte-americano.

"Acho que precisamos entender que o contexto é de frustração para Donald Trump. As pesquisas mostram que ele está em queda livre, que os americanos não aprovam sua gestão da economia interna, não aprovam sua gestão da guerra no Irã. Sua proposta de dar US$ 5 mil para cada cidadão se os republicanos vencerem as eleições de meio de mandato em novembro também está sendo recebida majoritariamente de forma negativa pelo público", avalia o jornalista franco-americano. "E, como ele está tentando energizar sua base, optou por uma estratégia que funciona quase sempre: um ataque à imprensa", acrescenta.

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Em resposta, as outras quatro principais redes de televisão do país (CBS, ABC, NBC e Fox News, conhecido como um canal conservador pró-Trump) anunciaram na segunda-feira (21) que estavam se retirando da cobertura presidencial. 

"A decisão chega em um momento bastante ruim para ele, diante do seu discurso na Assembleia Geral da ONU e da visita do presidente chinês Xi Jinping na quinta-feira (24). Será extremamente constrangedor para Trump, já que, afinal, há um aspecto teatral em todos esses encontros. Será constrangedor, porque ele é um grande consumidor de mídia. Adora se ver na televisão, ler os artigos escritos sobre ele, sejam eles bons ou ruins", sublinha Olivier Knox.

Também na segunda, os canais banidos, CNN, MS Now e Politico, entraram com um processo contra o governo Trump, solicitando urgentemente o levantamento da proibição, baseando-se na Primeira Emenda da Constituição norte-americana.

"A Primeira Emenda fala de cinco liberdades. E o mais importante nesta questão é a liberdade de imprensa. O governo federal não tem poder para restringi-la. Politico, CNN e MS Now provavelmente vencerão. Os meios de comunicação social já venceram várias batalhas contra a administração Trump durante o seu primeiro mandato, por exemplo, quando tentaram afastar o correspondente da CNN, Jim Acosta", explica.

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"Nosso país está melhor do que nunca"

O discurso de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, na tarde desta terça-feira, em Nova York, foi transmitido ao vivo por alguns veículos de comunicação dos EUA, como CBS News e Fox News. Um dos alvos do banimento, a CNN não veiculou em tempo real a participação do republicano.

"Nosso país está melhor do que nunca. Nosso futuro é brilhante... Agora temos o país mais sexy do mundo", declarou o presidente dos EUA. "O mundo inteiro está deslumbrado com o dinamismo e a força de um país revitalizado", insistiu.

Durante sua fala, Trump abordou diversos assuntos relacionados à política externa, exaltando suas ações e ameaçando, por exemplo, usar "poder militar" para manter sua influência na América do Sul. Sobre o conflito entre Ucrânia e Rússia, Trump prometeu paz "de um jeito ou de outro" e disse que um acordo entre os dois países chegaria "mais cedo do que pensamos".

O presidente dos EUA anunciou também a "construção de duas grandes bases militares" na Groenlândia, após um tratado firmado com a Dinamarca e as autoridades do território ártico. "Começaremos imediatamente a desenvolver uma presença militar significativa nos locais relevantes", explicou.

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Por fim, Trump concluiu seu discurso afirmando que os Estados Unidos usarão oficialmente o termo "superinteligência" em vez de "inteligência artificial".

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