Marc Etcheverry, da RFI
Após a derrubada de Nicolás Maduro, os Estados Unidos passaram a emitir novas ameaças contra outros líderes internacionais. No sábado (3), forças especiais norte‑americanas realizaram uma operação em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano e de sua esposa, acusados há meses por Washington de permanecer ilegalmente no poder e de facilitar o tráfico internacional de drogas. A ação, marcada por explosões e intensa movimentação militar, foi a intervenção mais direta dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, quando Manuel Noriega foi deposto.
Maduro e sua esposa agora enfrentarão a Justiça norte‑americana sob acusações de narcoterrorismo e envio de cocaína aos Estados Unidos. Em uma coletiva ao lado do secretário de Estado Marco Rubio, do secretário de Defesa Pete Hegseth e do chefe do Estado‑Maior, general Dan Caine, Donald Trump celebrou o êxito da operação e aproveitou para advertir outros governantes. Entre eles, citou o presidente colombiano Gustavo Petro, afirmando que ele "possui fábricas de cocaína" e que deveria "tomar muito cuidado".
Ameaças diretas
Cuba também foi alvo de recados diretos. Marco Rubio declarou que, se fosse membro do governo cubano, estaria "preocupado", descrevendo o país como uma "catástrofe" administrada por líderes "incompetentes e senis". Segundo o pesquisador Thomas Posado, professor de estudos sobre a América Latina contemporânea na Universidade de Rouen, Rubio reforça sua base eleitoral na Flórida — composta por comunidades cubanas e venezuelanas anticomunistas — ao adotar esse discurso de mudança de regime em Havana e Caracas.
Trump ainda voltou a ameaçar o Irã, em meio à onda de protestos no país, dizendo que o regime poderia enfrentar consequências caso fosse responsável pela morte de manifestantes. Apesar disso, especialistas consideram improvável que Washington repita rapidamente uma operação como a realizada na Venezuela. O ex‑oficial francês Guillaume Ancel aponta dois fatores: o elemento surpresa, que foi decisivo no caso venezuelano e dificilmente se repetiria na Colômbia, e o fato de que Trump não consultou o Congresso antes da ação — algo que seria obrigatório para qualquer intervenção prolongada.
No caso cubano, Posado também vê poucas chances de uma ofensiva semelhante. Ele afirma que derrubar Miguel Díaz‑Canel seria um triunfo político para Rubio, mas lembra que a operação na Venezuela já foi, do ponto de vista militar, quase um "milagre". Agora que os governos latino‑americanos conhecem os métodos da administração Trump, seria muito mais difícil repetir o feito ou abrir "múltiplos fronts" ao mesmo tempo.
Donald Trump ameaçou neste domingo (4) a dirigente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, dizendo que ela poderia ter "um destino ainda pior que o de Nicolás Maduro". "Se ela não fizer o que deve ser feito, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior que o de Maduro", declarou o presidente dos EUA ao jornal The Atlantic, referindo‑se à vice‑presidente venezuelana, a quem a Suprema Corte do país concedeu o poder interino. "O país está totalmente falido. É uma catástrofe em todos os aspectos", concluiu.
Com AFP