Diante da Justiça americana, Maduro diz ser inocente e afirma que foi sequestrado

Nicolás Maduro declarou-se inocente, nesta segunda-feira (5), das acusações de narcoterrorismo durante comparecimento perante um juiz federal em Nova York, dois dias após sua captura na Venezuela por forças especiais dos Estados Unidos.

5 jan 2026 - 15h18
(atualizado às 16h30)

Preso em uma penitenciária de Nova York, Nicolás Maduro foi levado perante um juiz nesta segunda-feira, por volta do meio dia, para um breve, porém necessário, procedimento legal que deve dar início a uma longa batalha judicial sobre a legalidade de seu julgamento nos EUA.

O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, ao chegar no heliporto do centro de Manhattan, em 5 de janeiro de 2026.
O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, ao chegar no heliporto do centro de Manhattan, em 5 de janeiro de 2026.
Foto: REUTERS - Eduardo Munoz / RFI

"Eu continuo sendo o presidente do meu país", declarou Nicolás Maduro, segundo a imprensa americana, afirmando que havia sido capturado. "Sou inocente, não sou culpado", disse ele, de acordo com a mesma fonte, afirmando ser "um prisioneiro de guerra". 

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A acusação, de 25 páginas, inclui alegações de vários crimes relacionados a drogas e armas, incluindo "conspiração para narcoterrorismo" e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.

O líder deposto e sua esposa, Cilia Flores, são acusados juntamente com outras quatro pessoas — que não foram presas —, incluindo o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, considerado um dos homens mais poderosos do país, e o filho de Nicolás Maduro.

O presidente venezuelano estava "à frente de um governo corrupto e ilegítimo que, por décadas, usou o poder do Estado para proteger e promover atividades ilegais, incluindo o narcotráfico. Esse narcotráfico enriqueceu e consolidou o poder da elite política e militar venezuelana", afirma a acusação.

Ele é acusado, em particular, de se aliar a movimentos guerrilheiros, incluindo os colombianos, que Washington considera "terroristas", bem como a cartéis criminosos para "contrabandear toneladas de cocaína para os Estados Unidos".

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Advogado de Assange

Maduro e Flores chegaram vestindo uniformes de presidiários, com fones de ouvido para tradução e com os pés acorrentados. Imagens divulgadas anteriormente mostraram o casal sendo transferido para o tribunal algemado, cercado por policiais armados. 

Algumas dezenas de apoiadores e opositores do presidente se reuniram perto do tribunal. Não é permitida a entrada de câmeras no recinto, mas alguns repórteres puderam ter acesso à sala. 

Maduro contratou o advogado Barry Joel Pollack, conforme mostram os registros do tribunal federal, conhecido por representar Julian Assange, fundador do Wikileaks.

Segundo a mídia americana, a próxima data de comparecimento de Nicolas Maduro no tribunal será 17 de março. 

Cooperação

Delcy Rodríguez, nomeada líder interina da Venezuela após a operação das forças especiais americanas no sábado, tomou posse nesta segunda-feira.

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"Eu me apresento com tristeza pelo sequestro de dois heróis que estão sendo mantidos como reféns nos Estados Unidos. (...) Também tenho a honra de prestar juramento em nome de todos os venezuelanos", disse Rodríguez, que era vice-presidente de Maduro e primeira na linha de sucessão presidencial.

No sábado, a Suprema Corte ordenou que ela assumisse as funções de chefe de Estado por um mandato renovável de 90 dias. Os militares ofereceram seu apoio a ela no domingo. Ela expressou sua disposição de cooperar com os Estados Unidos no âmbito de "relações equilibradas e respeitosas, fundadas na igualdade soberana e na não interferência".

O irmão de Delcy Rodriguez e presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, foi reeleito na segunda-feira e prometeu usar "todos os procedimentos possíveis" para garantir o retorno à Venezuela do presidente deposto Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos.

"Minha principal função nos próximos dias (...) como presidente desta Assembleia Nacional será usar todos os procedimentos, todas as plataformas e todos os meios para conseguir trazer de volta Nicolás Maduro Moros, meu irmão, meu presidente", declarou Rodríguez em seu discurso na primeira sessão da Assembleia Nacional, após as eleições legislativas de maio de 2025, que foram boicotadas por grande parte da oposição.

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RFI e AFP

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