Havana, aliada de Caracas, havia anunciado a morte de 32 membros das forças de segurança cubanas no ataque dos EUA e publicou, nesta terça-feira, seus nomes e patentes na imprensa oficial.
Segundo detalhes publicados no site Cubadebate, 21 eram membros do Ministério do Interior, incluindo três oficiais superiores (dois coronéis e um tenente-coronel), enquanto os outros 11 pertenciam às Forças Armadas Revolucionárias, em sua maioria soldados. O mais velho tinha 67 anos e o mais jovem, 26, informou o relatório.
As autoridades venezuelanas ainda não haviam divulgado um número oficial de mortos no ataque. O Exército venezuelano publicou avisos de falecimento em sua conta no Instagram, na terça-feira, referentes a 23 militares, incluindo cinco almirantes, 16 sargentos de diversas patentes e dois soldados.
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou no domingo que os guarda-costas de Maduro foram assassinados "a sangue frio" por tropas americanas, que bombardearam a capital e outros três estados para facilitar a operação de captura de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.
A operação americana foi realizada em questão de horas, com quase 200 soldados e 150 aeronaves, segundo o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.
Explosões seguidas de colunas de fumaça e incêndios atingiram o Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, que abriga o Ministério da Defesa e a Academia Militar. De dimensões imensas, o complexo abriga não apenas instalações militares, mas também áreas residenciais urbanas onde vivem milhares de famílias.
Outras explosões foram ouvidas perto do complexo aeronáutico La Carlota, um aeroporto militar e privado, na zona leste de Caracas.
Cuba e Venezuela mantêm há muito tempo estreitas relações de cooperação em setores estratégicos como defesa, saúde e educação, incluindo o fornecimento de petróleo em troca do envio de médicos e professores.
Grupo de elite
Nicolás Maduro estava sob constante vigilância de um grupo de elite pertencente ao notório G2, parte do serviço de inteligência do governo cubano.
"Os agentes mortos nesta operação pertenciam a uma das unidades da guarda pessoal de Nicolás Maduro. Seu círculo íntimo de segurança era composto inteiramente por militares cubanos, já que Nicolás Maduro não confiava nas forças que poderiam protegê-lo dentro da própria Venezuela, devido a receios de traição ou algo do tipo", explica Arturo Grandón, analista de Segurança, Defesa, Inteligência e Operações Especiais e diretor do Security College, nos Estados Unidos.
"Era um grupo de elite treinado para esse tipo de evento, e foram eles que morreram em combate, porque o ataque em si foi muito brutal. Em outras palavras, os relatórios de inteligência que possuímos indicam que o ataque foi extremamente violento, e eles não reagiram da maneira que se esperava da equipe de segurança de Maduro", acrescenta o especialista.
O grupo G2 está presente na Venezuela desde 1999, coincidindo com o primeiro ano da presidência de Hugo Chávez, após um acordo entre os dois países em troca de petróleo e uma reestruturação das Forças Armadas venezuelanas.
"Ele sempre teve apoio de agentes cubanos, tanto no campo tático quanto no de inteligência. Portanto, desde o momento em que Chávez começou a governar a Venezuela, essa troca — entre aspas — de apoio de Cuba para a Venezuela teve início. Chávez também tinha agentes de segurança e de inteligência cubanos atuando não apenas na Venezuela, mas também em delegações venezuelanas no exterior", afirma Arturo Grandón.
O grupo de inteligência cubano, responsável por coletar informações sobre ameaças internas e externas à segurança do Estado, opera dentro e fora da ilha. Foi criado em 1961 e, desde então, mantém presença em diversos países da América Latina, principalmente na Nicarágua e na Venezuela.
RFI e AFP