Venezuela liberta pelo menos 80 presos políticos de centros de detenção de todo o país, informa ONG

Pelo menos 80 presos políticos foram libertados neste domingo (25) na Venezuela, informou a ONG Foro Penal, que monitora detenções no país. Segundo o diretor da organização, Alfredo Romero, o número ainda pode aumentar à medida que novos casos são verificados. A presidente do governo interino venezuelano, Delcy Rodríguez, terá uma reunião na segunda-feira (26) com o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, para pedir a verificação das listas de pessoas libertadas até agora.

25 jan 2026 - 14h28
(atualizado às 14h43)

"Pelo menos 80 presos políticos, cujos casos estamos verificando, foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram novas liberações", escreveu o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, na rede social X.

Famílias de presos políticos já exigiam a libertação dos seus familiares, na Praça Bolívar, em Caracas, em um protesto no dia 14 de dezembro de 2025.
Famílias de presos políticos já exigiam a libertação dos seus familiares, na Praça Bolívar, em Caracas, em um protesto no dia 14 de dezembro de 2025.
Foto: AFP - FEDERICO PARRA / RFI

O advogado Gonzalo Himiob, também integrante do Foro Penal, afirmou que as libertações ocorreram durante a madrugada. "Esse número ainda não é definitivo e pode aumentar à medida que realizamos mais verificações", acrescentou na mesma rede. As libertações ocorreram em vários centros de detenção em todo o país, segundo o Foro Penal.

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O processo ocorre sob forte pressão dos Estados Unidos e desde que Delcy Rodríguez assumiu o governo interino após a captura de Nicolás Maduro por forças norte‑americanas em 3 de janeiro. A nova administração havia prometido um "número importante" de libertações.

O governo afirma ter soltado 626 presos políticos desde dezembro, mas os dados divergem dos registrados pelo Foro Penal, que contabiliza cerca da metade dessas liberações no mesmo período. 

Antes dos anúncios deste domingo, o Foro Penal havia confirmado apenas 156 libertações desde 8 de janeiro.

A lentidão das liberações tem gerado críticas da oposição e de organizações de direitos humanos, enquanto familiares aguardam do lado de fora de presídios — muitos passando a noite ao relento na esperança de rever parentes detidos.

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Delcy Rodríguez terá uma reunião nesta segunda-feira (26) com o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, para pedir que a ONU verifique as listas de pessoas libertadas até agora.

Governo interino quer negociaciar com a oposição

Desde que tomou posse, em 5 de janeiro, Rodríguez também firmou acordos petrolíferos com os Estados Unidos e iniciou uma reforma legislativa que inclui alterações na lei de hidrocarbonetos. No sábado (24), ela pediu avanços em negociações com a oposição para buscar "paz" no país.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, atualmente enfrentam processos por narcotráfico na Justiça de Nova York. Em 2024, durante a repressão aos protestos que se seguiram à controversa eleição presidencial vencida por Maduro, cerca de 2.400 pessoas foram presas e 28 morreram. A oposição, que reivindica a vitória, acusa o governo de fraude e publicou atas eleitorais que, segundo afirma, apontam Edmundo González Urrutia como vencedor.

O Conselho Nacional Eleitoral, acusado de atuar sob influência do governo, nunca divulgou os resultados detalhados, alegando ter sido alvo de um ataque cibernético.

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Com AFP

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