Venezuela fala em 100 mortos após operação dos EUA para capturar Maduro, que teria sido ferido na perna

O governo da Venezuela afirmou que a operação norte-americana realizada entre os dias 2 e 3 de janeiro, batizada de Absolute Resolve, deixou ao menos 100 mortos e número semelhante de feridos, além de resultar na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores. Segundo Caracas, ambos ficaram feridos. O país segue sob estado de emergência, com restrições a manifestações favoráveis à operação e negociações em curso com Washington sobre petróleo.

8 jan 2026 - 05h45
(atualizado às 05h48)

Segundo o ministro do Interior, Paz e Justiça, Diosdado Cabello, Maduro e a mulher ficaram feridos durante a operação conduzida pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

O estado de emergência — oficialmente chamado de "estado de comoção exterior" — segue em vigor no país. Grupos paramilitares foram mobilizados nas ruas de Caracas com a justificativa de manter a ordem. De acordo com a legislação, qualquer manifestação favorável à operação norte-americana pode levar à prisão. A lei foi aprovada em setembro, quando Maduro ainda estava no poder.

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Durante seu programa semanal na televisão estatal, Cabello detalhou os ferimentos do casal. "Cilia foi atingida na cabeça e sofreu um golpe no corpo. O 'irmão' Nicolás foi ferido em uma perna. Felizmente, ambos se recuperam", disse.

Na segunda-feira (5), durante a primeira audiência de Cilia Flores diante de um juiz federal nos Estados Unidos, o advogado da ex-primeira-dama, Mark Donnelly, declarou que ela sofreu ferimentos graves no ataque, incluindo fortes contusões nas costelas. Ele pediu que a cliente passasse por exames médicos e radiografias.

Cabello reiterou nesta quarta-feira (7) que o ataque que levou à captura de Maduro em Caracas deixou 100 mortos. "Até agora, e repito, até agora, há 100 mortos e número semelhante de feridos. O ataque contra o nosso país foi terrível", afirmou.

As Forças Armadas venezuelanas divulgaram vídeos dos funerais de militares mortos durante a operação norte-americana. As imagens mostram familiares em prantos, caixões cobertos com bandeiras da Venezuela e discursos que exaltam "a coragem, a bravura, a honra e a lealdade" dos soldados. Buquês, coroas de flores e fotos das vítimas adornavam os caixões escoltados por militares em formação.

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Antes da divulgação do balanço oficial, a AFP havia contabilizado ao menos um civil, um miliciano, 23 militares venezuelanos e 32 cubanos entre os mortos.

Petróleo, sim, mas só para comprar produtos norte-americanos

Mais cedo, durante uma cerimônia oficial, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que houve "uma mancha sem precedentes em nossa história".

Empossada na segunda-feira pela Assembleia Nacional, Rodríguez decretou sete dias de luto em homenagem às vítimas.

Ela afirmou, no entanto, que o comércio com os Estados Unidos "não tem nada de extraordinário nem de irregular", após a estatal petrolífera PDVSA anunciar negociações para vender petróleo aos norte-americanos.

O presidente dos Estados Unidos declarou que as autoridades venezuelanas interinas devem entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao país, volume equivalente a um ou dois meses da produção venezuelana.

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O governo norte-americano afirmou nesta quarta-feira que a transação faz parte de um "acordo histórico" com Caracas, que não se limita aos volumes mencionados.

Em seguida, Donald Trump escreveu em sua rede social que a parcela destinada à Venezuela será usada "EXCLUSIVAMENTE para comprar produtos norte-americanos", sobretudo alimentos e medicamentos.

Em pronunciamento na noite de quarta-feira, Rodríguez afirmou que "as mãos da Venezuela estão estendidas a todos os países do mundo, para relações de cooperação econômica, comercial e energética".

Durante seu primeiro mandato, Trump impôs sanções ao petróleo venezuelano, criando uma espécie de embargo contornado por compradores por meio de chamadas frotas "fantasmas". Washington afirma estar disposto a suspender essas sanções de forma seletiva para permitir a comercialização do petróleo venezuelano no mercado tradicional.

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Com AFP

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