Morte de americana pela polícia de imigração de Trump gera onda de protestos na cidade de George Floyd

Renee Nicole Macklin Good, de 37 anos, foi baleada por um agente da Polícia de Imigração (ICE) durante uma operação em Minneapolis

8 jan 2026 - 06h21
(atualizado às 08h08)
Resumo
A morte de Renee Nicole Macklin Good, cidadã americana baleada pelo ICE em Minneapolis, gerou protestos locais e nacionais contra a violência policial, enquanto autoridades divergem sobre os fatos.
Vídeo mostra ação de agente de imigração de Trump que matou mulher em Minneapolis, nos EUA
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A morte da cidadã americana Renee Nicole Macklin Good, de 37 anos, baleada por um agente da Polícia de Imigração (ICE) durante uma operação em Minneapolis, desencadeou uma onda de protestos na cidade e em outras partes do país. Centenas de pessoas foram às ruas na noite da quarta-feira, 7, para denunciar a violência das ações migratórias do governo Donald Trump e exigir a retirada das forças federais da cidade.

No início da noite, uma multidão se reuniu no local do incidente em Minneapolis. Vídeos mostram milhares de pessoas marchando por bairros de maioria somali na capital onde as operações do ICE tem se concentrado. Houve também manifestações em Nova York, em solidariedade à vítima e contra a política migratória do governo Trump.

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Segundo registros hospitalares obtidos pela Associated Press, a vítima foi identificada como Renae Macklin Good. Nas redes sociais, ela se descrevia como "poeta, escritora, esposa e mãe", natural do Colorado e "vivenciando Minneapolis". Em seu perfil, aparece sorrindo ao lado de uma criança pequena e usava um emoji da bandeira do orgulho LGBTQIA+.

Segundo autoridades federais, vítima teria tentado atropelar agentes; prefeito e governador contesta versão
Segundo autoridades federais, vítima teria tentado atropelar agentes; prefeito e governador contesta versão
Foto: Reprodução/Redes sociais

A morte ocorreu durante uma abordagem a um veículo utilitário esportivo (SUV) parado no meio da via. Vídeos gravados por testemunhas e divulgados nas redes sociais mostram um agente se aproximando do carro, exigindo que a motorista abrisse a porta e puxando a maçaneta. Em seguida, o veículo começa a se mover e outro agente, posicionado à frente, saca a arma e dispara ao menos dois tiros à queima-roupa. O SUV segue em frente, colide com dois carros estacionados e para poucos metros depois. Não está claro, pelas imagens, se houve contato entre o veículo e o agente.

A área onde ocorreu o tiroteio fica a menos de dois quilômetros do local onde George Floyd foi morto pela polícia em 2020, episódio que deu origem a protestos globais contra a violência policial.

Versões em disputa

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o agente agiu em legítima defesa após a mulher "tentar atropelá-los e atingi-los com o veículo", classificando o episódio como "ato de terrorismo doméstico". 

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O presidente Donald Trump reforçou essa versão em uma postagem nas redes sociais, dizendo que a motorista agiu de forma "violenta, deliberada e cruel" e acusando a "esquerda radical" de atacar agentes da lei diariamente.

"O motivo de esses incidentes estarem acontecendo é porque a esquerda radical está ameaçando, agredindo e perseguindo nossos agentes", escreveu Trump, pedindo apoio às forças de segurança.

O vice-presidente JD Vance publicou que "todos os agentes do ICE devem saber que o presidente, o vice-presidente e toda a administração os apoiam" e prometeu endurecer ainda mais a aplicação da lei contra manifestantes que, segundo ele, "agridem, expõem dados pessoais e ameaçam" agentes federais.

"O motivo de esses incidentes estarem acontecendo é porque a esquerda radical está ameaçando, agredindo e perseguindo nossos agentes", escreveu Trump em sua rede "Truth Social", pedindo apoio às forças de segurança.

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O vice-presidente JD Vance publicou que "todos os agentes do ICE devem saber que o presidente, o vice-presidente e toda a administração os apoiam" e prometeu endurecer ainda mais a aplicação da lei contra manifestantes que, segundo ele, "agridem, expõem dados pessoais e ameaçam" agentes federais.

Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, reagiu duramente. Em coletiva logo após o incidente, ele disse que a descrição feita por Noem é "lixo" e exigiu que os agentes federais deixem a cidade. "Estão semeando caos nas nossas ruas", afirmou, chegando a dizer publicamente para o ICE "sair da cidade".

O governador de Minnesota, Tim Walz, também contestou a versão federal. "Temos alguém morto dentro do próprio carro sem razão alguma", disse em coletiva. Ele classificou a morte como "evitável" e "desnecessária" e anunciou que autorizou a preparação da Guarda Nacional, ao mesmo tempo em que pediu protestos pacíficos.

O chefe da polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, deu um breve relato do caso, mas não confirmou que a motorista tenha tentado ferir os agentes. O comissário de Segurança Pública de Minnesota, Bob Jacobson, afirmou que as autoridades estaduais vão investigar o caso em conjunto com o governo federal.

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Esta é, pelo menos, a quinta morte ligada às operações intensificadas do ICE desde o início da nova ofensiva migratória do governo Trump no ano passado.

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