Suprema Corte dá vitória parcial a Trump em disputa sobre restrições ao voto pelo correio

Maioria conservadora permite que governo avance com plano para mudar regras do voto postal antes das eleições de novembro.

25 ago 2026 - 06h17
Resumo
A Suprema Corte dos EUA concedeu vitória parcial a Trump ao liberar provisoriamente trechos de sua ordem executiva que restringe o voto por correio. Por 6 a 3, os juízes consideraram a contestação dos estados prematura, sem avaliar a constitucionalidade do texto. A ordem visa ampliar o controle federal na checagem e envio de cédulas postais sob alegação de combater fraudes. O processo retorna às instâncias inferiores, elevando a incerteza jurídica antes das eleições de novembro.

Patrícia Vasconcellos, de Washington, especial para a RFI

Um mesário processa cédulas enviadas pelo correio no Centro de Processamento de Cédulas do Condado de Los Angeles durante as eleições primárias estaduais da Califórnia, na cidade de Industry, Califórnia, em 2 de junho de 2026.
Um mesário processa cédulas enviadas pelo correio no Centro de Processamento de Cédulas do Condado de Los Angeles durante as eleições primárias estaduais da Califórnia, na cidade de Industry, Califórnia, em 2 de junho de 2026.
Foto: AFP - PATRICK T. FALLON / RFI

A Suprema Corte dos Estados Unidos deu uma vitória ao governo Trump na disputa sobre as novas restrições ao voto pelo correio a pouco mais de dois meses das eleições legislativas de novembro. Por seis votos a três, a maioria conservadora da Corte derrubou nesta segunda-feira (24) uma decisão que impedia o governo federal de avançar com partes de uma ordem executiva assinada por Trump em março.

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A decisão dada em caráter de emergência não significa que a Suprema Corte considerou as medidas constitucionais. Os juízes analisaram uma questão mais restrita: se os 23 estados, além do Distrito de Columbia, que entraram na Justiça contra a ordem presidencial já tinham demonstrado prejuízo suficiente para contestá-la. A maioria aceitou o argumento do governo de que a ação havia sido apresentada cedo demais, antes que as agências federais concluíssem as regras necessárias para colocar o plano em prática. 

A disputa volta agora às instâncias inferiores e deve continuar nas próximas semanas, aumentando a incerteza sobre quais regras estarão valendo quando os americanos começarem a votar nas eleições de 3 de novembro.

O que Trump quer mudar

A ordem executiva determina uma mudança significativa na participação do governo federal na administração do voto pelo correio, tradicionalmente controlado pelos estados. Entre as medidas previstas na ordem executiva está a criação de listas federais de cidadãos considerados habilitados a receber cédulas eleitorais pelo correio. O Serviço Postal americano seria instruído a entregar cédulas apenas aos eleitores que aparecessem nessas listas.

Os estados também teriam que fornecer informações sobre seus eleitores e adaptar os envelopes utilizados no voto postal para permitir novos mecanismos de rastreamento. Donald Trump afirma que as mudanças são necessárias para combater fraudes eleitorais e impedir que pessoas sem cidadania americana votem.

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O voto de não cidadãos em eleições federais já é ilegal nos Estados Unidos e estudos e investigações eleitorais encontraram casos eventuais desse tipo.

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