Senado da Bolívia aprova lei que regulamenta estados de exceção, em meio a onda de protestos

Depois de horas de debate, o Senado da Bolívia aprovou nesta quinta-feira (4) um projeto de lei que regulamenta os estados de exceção no país. A votação ocorreu um dia após o presidente Rodrigo Paz anunciar o envio da proposta ao Congresso. O governo agora pode recorrer ao estado de sítio para conter manifestações.

5 jun 2026 - 05h03

Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Bolívia

A sessão chegou a ser suspensa para que aliados do presidente explicassem o conteúdo do texto aos parlamentares. Os ministros de Governo, Marco Antonio Oviedo; da Presidência, José Luis Lupo; e da Defesa, Ernesto Justiniano, recém-empossado no cargo, se reuniram com os senadores para detalhar a iniciativa e responder aos questionamentos dos parlamentares.

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O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

Na semana passada, o Congresso revogou uma lei de 2020 que limitava o uso de decretos de emergência pelo Poder Executivo. A expectativa é que Paz decrete estado de sítio nos próximos dias, medida que abriria espaço para a atuação das Forças Armadas na repressão aos protestos.

Protestos há mais de um mês

A Bolívia entra nesta sexta-feira no 36º dia consecutivo de manifestações que pedem a renúncia do presidente. Os grupos de oposição rejeitam as reformas defendidas pelo governo e acusam Paz de ter abandonado promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Como forma de pressão, manifestantes mantêm bloqueios em rodovias de diferentes regiões do país. Os protestos provocam dificuldades de abastecimento em diversas cidades, incluindo a capital, La Paz.

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Camponeses, operários, mineiros, transportadores, professores e outros setores reclamam da escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas.

Policiais revistam uma manifestante enquanto retiram membros da comunidade que ocuparam a instalação petrolífera Humberto Suárez, em Santa Rosa del Sara, para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os protestos em curso causaram escassez de combustível e alimentos na Bolívia. (03/06/2026)
Policiais revistam uma manifestante enquanto retiram membros da comunidade que ocuparam a instalação petrolífera Humberto Suárez, em Santa Rosa del Sara, para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os protestos em curso causaram escassez de combustível e alimentos na Bolívia. (03/06/2026)
Foto: RFI

Apoio dos EUA

De acordo com um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio afirmou, em uma conversa por telefone com Rodrigo Paz nesta quinta-feira, que Washington ampliará a assistência ao governo boliviano diante da escassez de alimentos e medicamentos. Rubio reafirmou "o compromisso inabalável dos Estados Unidos de apoiar a democracia da Bolívia e a administração Paz enquanto reconstrói o país após 20 anos de fracassadas políticas socialistas", segundo o comunicado.

Também nesta quinta, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, apoiou o governo boliviano e afirmou que os Estados Unidos acompanham de perto a situação no país. Washington e seus aliados na região "rejeitam qualquer tentativa de derrubar o governo legítimo do presidente Rodrigo Paz", explicou Hegseth.

Após a chegada ao poder do conservador Rodrigo Paz, a Bolívia reativou rapidamente suas relações com o governo americano. O país andino tornou-se um dos membros da aliança de segurança Escudo das Américas, lançada pelo presidente Donald Trump em março.

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