O site do jornal Le Monde explica que o episódio teve início no sábado (25), quando Milei participou da convenção do PL, em São Paulo, na qual Flávio Bolsonaro oficializou sua candidatura às eleições presidenciais de outubro. Sem nomeá-los, Milei se referiu ao presidente Lula como "presidiário" e "ladrão" e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes como "lixo careca". No domingo (26), ele engrossou a polêmica, acusando o "governo do Brasil", o México e o Partido Democrata dos Estados Unidos de terem financiado uma suposta "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo de futebol.
A matéria explica que, primeiramente, no sábado, Brasília convocou seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas. No domingo foi a vez do embaixador argentino, Daniel Raimondi, ser acionado na capital brasileira para "transmitir a repulsa do governo Lula aos impropérios" de Milei e "cobrar explicações sobre o comportamento do presidente argentino".
O jornal Le Parisien indica que Milei afirmou à rádio Mitre que 25% do financiamento da suposta campanha anti-Argentina teria sido feita pelo Brasil, mas "sem apresentar nenhum elemento que justifique essas acusações". "O presidente argentino não gostou das críticas feitas ao jogo e ao fair‑play de sua equipe durante a Copa do Mundo", explica o diário.
Sombra de Jair Bolsonaro
A correspondente do jornal Le Figaro no Brasil, Eléonore Hughes, cobriu a convenção do PL em São Paulo no sábado, quando "planou a sombra de Jair Bolsonaro" quando seu filho mais velho prometeu perpetuar a herança do pai e "libertar o Brasil". Segundo a matéria, a ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi percebida entre os apoiadores, alimentando ainda mais o clima de tensão no partido após uma briga pública entre os dois.
Mas os problemas de Flávio vão muito além das questões envolvendo sua sogra, ressalta Les Figaro. O jornal lembra que, em maio, a imprensa brasileira divulgou áudios em que o candidato da extrema-direita pede dinheiro a Daniel Vorcaro, do banco Master - preso e no centro de um enorme escândalo financeiro no Brasil - para ajudar a bancar um filme sobre Jair Bolsonaro.
O correspondente do jornal Les Echos em São Paulo, Thierry Ogier, escreve que Flávio escolheu oficializar sua candidatura ao lado do "truculento" Milei e chorou quando foi exibido um vídeo feito com IA em que Bolsonaro aparece o apoiando, já que a justiça brasileira o proíbe de se expressar publicamente após sua condenação à prisão por tentativa de golpe de Estado. Além disso, o candidato do PL foi até os Estados Unidos e posou para fotos ao lado do presidente Donald Trump dias antes de Washington anunciar novas tarifas penalizando o Brasil.
O diário diz que o filho mais velho de Bolsonaro tem um verdadeiro desafio de enfrentar Lula, que vai brigar por um quarto mandato e que lidera as pesquisas de intenção de voto. Flávio "oscila entre o estilo raivoso do pai e um discurso mais moderado, pensado para conquistar os eleitores indecisos e aqueles que estão cansados da extrema polarização que marca a vida política brasileira há vários anos", conclui Les Echos.