A cerimônia reúne uma série de líderes estrangeiros, entre eles o presidente argentino Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa, o paraguaio Santiago Peña, o uruguaio Yamandú Orsi e o rei Felipe VI da Espanha. O Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira.
A programação começa com uma sessão solene do Congresso às 13h30 de Brasília (11h30 em Lima). Uma hora depois, às 14h30 de Brasília, Fujimori fará seu primeiro discurso à nação, no qual deverá apresentar as principais diretrizes de seu governo.
Após tomar posse, Keiko terá de enfrentar desafios que vão do combate à criminalidade e à recuperação da economia à preparação do país para os impactos do fenômeno climático El Niño. A nova presidente também terá a missão de restaurar a estabilidade institucional após uma década marcada por oito trocas de governo.
Ministros anunciados
Luis Galarreta, seu vice-presidente e um de seus aliados mais próximos, será o presidente do Conselho de Ministros. "Pedi (...) que lidere um gabinete unido, que trabalhe com senso de urgência, que ouça a população e que sua gestão seja avaliada pelos resultados", disse Fujimori à imprensa, na segunda-feira (27), em uma sede partidária em Lima. Galarreta, ex-parlamentar de 55 anos, militou por décadas na democracia cristã antes de ingressar, em 2016, nas fileiras do fujimorismo.
A presidente eleita também nomeou para o Ministério da Economia o economista Elmer Cuba, ex-diretor do Banco Central, enquanto o ex-jornalista de televisão e ex-candidato à presidência Carlos Espá será seu chanceler.
Cuba afirmou que, como responsável pela política econômica, buscará combater a evasão fiscal e terá como "obsessão" a "produtividade da economia, a geração de novos empregos e a promoção da coesão social".
Fujimori substituirá o presidente interino José María Balcázar. Ela foi eleita para governar até 2031. Os demais integrantes de seu futuro gabinete, composto por 19 ministérios, serão anunciados nesta terça-feira, após a cerimônia oficial.
Críticas de organizações de direitos humanos
A posse ocorre, porém, em meio a protestos e manifestações de familiares de vítimas de violações de direitos humanos atribuídas ao governo de seu pai. Na segunda-feira (27), grupos se reuniram em uma praça central de Lima para pedir justiça e demonstrar rejeição à nova presidente. Entre eles estava Marly Anzualdo, que ainda procura os restos mortais do irmão Kenneth, desaparecido em 1993 durante o conflito interno peruano.
Durante a campanha, Keiko Fujimori concentrou seu discurso no combate à criminalidade, considerada hoje uma das maiores preocupações dos peruanos. O país enfrenta o avanço de gangues locais e estrangeiras envolvidas em extorsões, sequestros e assassinatos por encomenda.
Entre as medidas anunciadas pela presidente estão a deportação de imigrantes em situação irregular, a criação de tribunais com juízes anônimos para julgar organizações criminosas e programas que exigiriam trabalho dos detentos em troca de benefícios dentro do sistema prisional.
Além da segurança pública, o novo governo terá pela frente o desafio de preparar o país para os impactos do fenômeno climático El Niño, cuja próxima ocorrência pode ser uma das mais intensas das últimas décadas. Fujimori também precisará enfrentar a instabilidade política que marcou o Peru nos últimos anos, período em que o país teve sucessivas trocas de governo.
O partido de Keiko, o Força Popular, continua sendo uma das principais forças políticas do Peru. A sigla, no entanto, é alvo de críticas por apoiar propostas de anistia para militares e policiais acusados de violações de direitos humanos durante o conflito armado interno que atingiu o Peru entre 1980 e 2000. Também é acusada por adversários de ter protegido politicamente a ex-presidente Dina Boluarte durante as investigações sobre a repressão a manifestações ocorridas em 2023, que deixaram dezenas de mortos.
Com a chegada de Keiko Fujimori ao poder, o Peru terá sua nona troca de presidente em apenas uma década, sequência que evidencia a instabilidade política vivida pelo país nos últimos anos.