Margot Davier, correspondente da RFI em Havana
Apenas 1,8 milhão de visitantes pisaram na ilha em 2025. Nas ruas da velha Havana, um dos locais mais procurados, os turistas estão cada vez mais raros.
Na emblemática Praça das Armas, Corinne e Patrick, um casal francês, tiram suas últimas fotos da viagem. Encantados com uma estadia anterior no país, há dez anos, decidiram voltar: "Para nós, também era importante demonstrar nossa vontade de apoiar um pouco o povo cubano, indo comer em restaurantes, consumindo um pouco, porque não há muita coisa. Fazendo o possível para trazer divisas e não seguir a doutrina emitida por Donald Trump."
Escalas adicionais por falta de querosene
O casal estava prestes a ir para o aeroporto, rumo a Paris, em um voo que agora inclui uma escala adicional para reabastecimento de querosene. A viagem de onze dias foi profundamente afetada pela escassez de combustível. "Muitos hotéis fecharam, então os hotéis que tínhamos escolhido não estavam funcionando", explica Corinne.
Os poucos visitantes que restam são abordados pelos músicos de rua. Daniela, 20 anos, vendedora em uma loja de souvenirs, descreve um círculo vicioso: "Se não há turismo, não há entrada de dinheiro no país. E se o país não tem divisas, não podemos comprar combustível. O turismo é realmente fundamental para nós."
A jovem abandonou seus estudos de medicina por causa da crise. Seu salário depende das vendas diárias, que diminuem dia após dia.
Chegada de petroleiro russo à ilha comunista
Enquanto o bloqueio imposto por Washington ao abastecimento de combustível continua em vigor, o Kremlin declarou nesta segunda-feira (30) estar "satisfeito" com a chegada de um petroleiro russo à ilha comunista aliada de Moscou. O Anatoly Kolodkin avança lentamente pela costa cubana em direção ao porto de Matanzas, transportando 730 mil barris de petróleo bruto, informou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu à chegada do petroleiro.
"Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, isso não me causa nenhum problema, seja a Rússia ou não", declarou no domingo (29) o líder norte-americano. "Isso não terá qualquer impacto. Cuba está acabada (...), recebam eles uma carga de petróleo ou não, isso não fará nenhuma diferença", insistiu Trump.