Imprensa internacional destaca elo entre conselheiro de Trump e fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

A revelação de que o avião usado por Flávio Bolsonaro para chegar aos Estados Unidos teria sido fretado por Jason Miller, um dos principais conselheiros do presidente norte-americano, Donald Trump, provocou ampla repercussão. A denúncia foi publicada pelo The New York Times e repercutida por veículos como Le Monde, Le Figaro e Wall Street Journal. O financiamento do voo, pago a partir de uma conta nos EUA, tornou-se o foco da operação que permitiu a fuga do senador brasileiro.

30 out 2026 - 08h24
Resumo
A imprensa internacional destacou o elo entre aliados de Donald Trump e a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA. Segundo veículos como The New York Times e Le Monde, o assessor Jason Miller teria fretado o voo de US$ 150 mil pago via conta bancária norte-americana, em rota que passou por Argentina e Equador. O caso evidencia uma rede de apoio entre líderes da extrema-direita das três nações, gerando potenciais impactos diplomáticos e jurídicos, enquanto a Casa Branca ainda não se manifestou.

Com o título "Trump e seus assessores ajudaram Bolsonaro a fugir do Brasil para os Estados Unidos", a reportagem do New York Times afirma que "o presidente Donald Trump garantiu que Flávio Bolsonaro, que perdeu a eleição presidencial no Brasil e enfrenta diversas investigações criminais no país, pudesse entrar nos Estados Unidos", citando autoridades norte-americanas.

Segundo o jornal The New York Times, o estrategista republicano Jason Miller teria providenciado o fretamento da aeronave utilizada por Flávio Bolsonaro.
Segundo o jornal The New York Times, o estrategista republicano Jason Miller teria providenciado o fretamento da aeronave utilizada por Flávio Bolsonaro.
Foto: REUTERS - Alexandre Meneghini / RFI

A revelação ganhou destaque em veículos de diferentes países e passou a ser repercutida por jornais, agências de notícias e emissoras internacionais à medida que surgiam novos detalhes sobre o financiamento do voo e a rede de apoio político mobilizada em torno da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

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O aspecto que mais chamou a atenção da cobertura internacional foi a informação de que Jason Miller teria fretado a aeronave utilizada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O New York Times apresentou o episódio como uma demonstração do envolvimento de integrantes do círculo político de Trump na operação que levou o senador brasileiro aos Estados Unidos.

A notícia foi reproduzida por diversos veículos, entre eles Le Monde, Le Figaro, AFP, TV5Monde e Radio-Canada, que destacaram as repercussões políticas e diplomáticas do caso.

Até o momento, contudo, não há comprovação pública de que Trump tenha disponibilizado pessoalmente uma aeronave para a viagem. Os relatos divulgados pela imprensa apontam especificamente para a suposta participação de Jason Miller na contratação do voo. A Casa Branca também não se manifestou oficialmente sobre as informações publicadas.

A ausência de esclarecimentos formais por parte de Washington contribuiu para ampliar o interesse da imprensa internacional pelo caso, especialmente diante de suas possíveis implicações diplomáticas e jurídicas.

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Repercussão na França

Na França, o Le Figaro destacou um dos aspectos centrais da investigação: o financiamento da aeronave utilizada por Flávio Bolsonaro. Com base em declarações do proprietário da empresa aérea argentina responsável pelo fretamento, o jornal informou que o voo teria sido pago a partir de uma conta bancária localizada nos Estados Unidos.

Segundo o relato reproduzido pelo diário francês, o pagamento, de US$ 150 mil, foi realizado por meio de uma conta empresarial norte-americana. O empresário afirmou ter recebido os recursos por intermédio de uma pessoa com dupla nacionalidade argentina e norte-americana, mas recusou-se a revelar a identidade do cliente final responsável pela contratação do serviço.

Para o Le Figaro, a origem dos recursos tornou-se um dos principais elementos para compreender a rede de apoio que viabilizou o deslocamento internacional do candidato derrotado no segundo turno. O jornal conservador também observou que a Casa Branca não respondeu aos questionamentos sobre as informações divulgadas pela imprensa norte-americana.

'Fuga rocambolesca'

Nesta sexta-feira (30), o Le Monde também dedica espaço ao caso e destaca que "o jato que transportou o senador brasileiro e sua família teria sido pago por um intermediário por meio de uma conta bancária norte-americana", citando as reportagens do Wall Street Journal e do NYT. Ainda segundo o Le Monde, "a fuga rocambolesca, passando pela Argentina e pelo Equador, continua cercada de zonas de sombra".

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Le Monde reproduziu ainda declarações de Luis Grande, proprietário da companhia argentina Baires Fly, responsável pelo voo. "Fui contratado por um corretor que conheço há dez anos e que mora nos Estados Unidos", declarou por telefone, da Flórida. Segundo o empresário argentino, esse intermediário, "que possui cidadania argentina e norte-americana e cuja identidade ele se recusou a divulgar", transferiu US$ 150 mil de uma conta empresarial em um banco norte-americano para uma instituição financeira argentina para custear a operação.

Rede de apoio político

O Wall Street Journal abordou o caso sob outra perspectiva, concentrando sua cobertura na articulação política que teria possibilitado a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Segundo o jornal, a chegada do senador aos Estados Unidos teria sido resultado de uma operação envolvendo figuras próximas ao presidente Donald Trump e interlocutores ligados ao governo argentino.

A publicação sugere que o episódio foi além da simples contratação de um voo particular, inserindo-se em uma rede de relações construída nos últimos anos entre lideranças da extrema direita brasileira, norte-americana e argentina.

Para o jornal, o caso ganhou dimensão internacional não apenas por envolver um integrante da família Bolsonaro, mas também pela participação de personagens influentes. A atenção da imprensa foi ampliada pelo fato de o episódio ocorrer em meio aos desdobramentos da crise política envolvendo o bolsonarismo e seus reflexos externos.

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Em paralelo, a agência AFP informou que o proprietário da empresa aérea argentina Baires Fly confirmou ter recebido US$ 150 mil provenientes de uma conta empresarial localizada nos Estados Unidos para custear o fretamento da aeronave.

Segundo Luis Grande, ouvido pela agência, a transferência foi intermediada por "uma pessoa com cidadania argentina e norte-americana". Ele, contudo, recusou-se a revelar a identidade do contratante final, mantendo em aberto uma das principais questões sobre o financiamento da viagem.

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