Donald Trump declarou no entanto, neste domingo, que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, "pagará mais caro do que Maduro" se "não fizer o que é necessário", em entrevista à revista The Atlantic. "Reconstruir o país não é algo ruim", acrescentou o presidente norte-americano, em contato por telefone. "A Venezuela está falida. Este país é uma catástrofe em todos os aspectos", disse.
O ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino López, exigiu a libertação do presidente Nicolás Maduro. No dia seguinte à captura de Maduro pelas forças armadas norte-americanas, o ministro denunciou neste domingo (4) o assassinato "a sangue frio" de parte da equipe de proteção do presidente e pediu sua imediata libertação.
Em comunicado lido neste domingo (4), Padrino López anunciou ainda que o exército venezuelano reconheceu a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. O general citou decisão da Suprema Corte da Venezuela determinando que Delcy assumisse o poder por 90 dias.
Os Estados Unidos deixaram a entender neste domingo (4) que poderiam cooperar com os líderes venezuelanos ainda em cargos de decisão caso "tomem boas decisões", após a captura do presidente deste país rico em petróleo durante uma operação espetacular, para conduzi-lo à Justiça em Nova York.
Em Caracas, as ruas estavam quase vazias e as patrulhas de policiais fortemente armados vistas na véspera não foram mais vistas depois da captura e retirada do herdeiro politico de Hugo Chávez e de sua esposa Cilia Flores pelas forças especiais norte-americanas.
Moradores aguardavam do lado de fora de supermercados, alguns deles controlando a entrada de clientes um a um para evitar saques, constataram jornalistas da AFP.
O presidente deposto, de 63 anos, passou sua primeira noite em uma prisão em Brooklyn, Nova York, e deve ser apresentado à Justiça norte-americana na segunda-feira, acusado de "narcoterrorismo", segundo a imprensa, ao lado de sua esposa, de 69 anos.
Ameaças
Donald Trump descreveu a operação como audaciosa e planejada por meses e garantiu no sábado que os Estados Unidos passariam a "liderar" o país de 30 milhões de habitantes, afirmando estar disposto a enviar tropas terrestres e realizar uma "segunda onda" de ataques.
Porém, o secretário de Estado norte-americano suavizou neste domingo as declarações do presidente, em entrevistas a várias emissoras. "Estamos em guerra contra organizações de tráfico de drogas, não contra a Venezuela", disse Marco Rubio à NBC News.
Washington se declarou disposto a cooperar com a vice-presidente Delcy Rodríguez, à qual a Suprema Corte venezuelana confiou o poder, e com outros líderes ainda em cargos, mas avaliaria suas ações, acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana à CBS.
"Se não tomarem boas decisões, os Estados Unidos manterão vários mecanismos de influência para proteger nossos interesses, incluindo o embargo ao petróleo. Vamos julgar, no futuro, tudo o que fizerem", advertiu.
Embora os EUA afirmem não querer se envolver mais em assuntos internos de outros países, como fizeram no Iraque ou no Afeganistão, Donald Trump não escondeu o interesse pelas vastas reservas petrolíferas da Venezuela, as maiores reservas comprovadas do mundo. O presidente norte-americano afirmou no sábado que permitiria às empresas de seu país explorar o petróleo venezuelano, responsável por 17% das reservas mundiais de petróleo bruto e cuja produção de baixa qualidade é vendida em 80% para a China.
Após a divulgação da primeira foto de Maduro com algemas e olhos vendados, a Casa Branca publicou no sábado um vídeo do presidente deposto, algemado e de sandálias, sendo escoltado por agentes dentro da sede da DEA, a agência federal norte-americana antidrogas. "Boa noite, feliz ano novo", disse Maduro no vídeo, antes de ser conduzido a uma prisão federal em Brooklyn.
Com AFP