Abelardo de la Espriella acusa o presidente colombiano de envolvimento em um esquema de interceptações clandestinas. Ele fez a denúncia depois que Gustavo Petro afirmou ter tido acesso, por meio dos serviços de inteligência, a conversas do candidato, sem apresentar provas ou detalhes concretos.
Petro diz ter ouvido diálogos entre o candidato da direita e os proprietários da multinacional responsável pela logística da eleição presidencial. O atual chefe de Estado afirma suspeitar de uma possível fraude no processo eleitoral.
O presidente garante que a empresa que administra o software da pré-contagem é uma fachada da companhia Thomas Greg & Sons, que por vários anos teve o contrato público para a produção de passaportes até que seu governo encarregou a tarefa à imprensa do Estado. Ele afirmou que o candidato da direita está "trocando a devolução do contrato de passaportes" para esta empresa "por certos algoritmos que lhe assegurem a Presidência"
Abelardo de la Espriella, advogado e candidato pelo movimento de extrema direita Defensores da Pátria, acusou o presidente de perseguição em um vídeo divulgado nas redes sociais.
"As escutas ilegais, a campanha de difamação conduzida por pseudojornalistas a serviço de Petro e por assassinos digitais, as armações judiciais ao longo destes oito meses de campanha e a propaganda obscura permanente contra mim na mídia pública e privada não são nada além de sinais de pânico e terror", declarou na mensagem.
O candidato do Defensores da Pátria nega qualquer vínculo com a empresa mencionada e exige provas concretas das escutas. Ele pediu ao Ministério Público a abertura de uma investigação sobre o caso.
Abelardo de la Espriella afirmou que não deixará o caso impune. "Vou denunciar essa perseguição aos organismos internacionais, ao governo americano e à União Europeia. E aqui na Colômbia também farei isso. Não tenha dúvida, Petro", disse.
Candidato de esquerda lidera pesquisas
O candidato afirma ter certeza de que vencerá Iván Cepeda, seu rival de esquerda apoiado por Gustavo Petro. Segundo ele, a expectativa de sua vitória seria o verdadeiro motivo das acusações feitas pelo atual presidente.
A dois meses da votação, o caso provoca debates sobre a segurança dos candidatos e a transparência da campanha eleitoral. Gustavo Petro, presidente da Colômbia desde 2022, não pode disputar a reeleição. O primeiro turno da eleição presidencial no país está marcado para 31 de maio, e o segundo, para 21 de junho.
Pesquisa divulgada no fim de março indica Iván Cepeda, do Pacto Histórico, na liderança com 35 por cento das intenções de voto. Abelardo de la Espriella aparece em segundo lugar, com 21 por cento.
A coalizão governista já obteve uma primeira vitória em março, ao se posicionar como a principal força no Senado após as eleições legislativas.
Com AFP