Após vitória apertada, Keiko Fujimori enfrenta cenário de crise na presidência do Peru

Eleita por uma margem mínima de votos, Keiko Fujimori assumirá em julho a presidência do Peru diante de um cenário de múltiplos desafios. Aos 51 anos, ela chega ao poder em meio à escalada da violência, à desaceleração econômica e a uma crise política que levou o país a ter oito presidentes desde 2016.

30 jun 2026 - 08h46

A candidata de direita venceu por menos de um ponto percentual seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, segundo os resultados finais da apuração divulgados nesta segunda-feira (29), três semanas após o segundo turno. Keiko obteve 50,13% dos votos, contra 49,86% de Sánchez, de acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), uma diferença inferior a 50 mil votos.

Keiko Fujimori faz saudação ao sair de sua casa no distrito de San Borja, Lima, em 24 de junho de 2026.
Keiko Fujimori faz saudação ao sair de sua casa no distrito de San Borja, Lima, em 24 de junho de 2026.
Foto: AFP - CONNIE FRANCE / RFI

"Estamos cada vez mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos", publicou Keiko Fujimori na rede X após a conclusão da apuração.

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A expectativa é que a autoridade eleitoral proclame oficialmente o resultado nos próximos dias e que, em 15 de julho, sejam entregues as credenciais de presidente eleita.

Segundo análises da imprensa local, Keiko Fujimori terá como principais desafios formar um gabinete sólido, capaz de gerar confiança e resultados rápidos, ao mesmo tempo em que busca superar a resistência ao fujimorismo e responder à pressão imediata por avanços em áreas como segurança, economia, saúde e preparação para o El Niño.

Polarização exige abertura

A própria presidente eleita reconheceu a divisão do país após a disputa acirrada. "Sabemos que o país está dividido. Temos a grande responsabilidade de ouvir ambos os lados. As portas do diálogo estão abertas", declarou após a conclusão da apuração. Em outra mensagem publicada na rede X, afirmou que o Peru está "cada vez mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos".

A segurança pública foi o principal tema da campanha. Entre 2018 e 2025, o número anual de homicídios registrados no país passou de cerca de 1 mil para 2,6 mil, enquanto as denúncias de extorsão cresceram oito vezes, alcançando 26,5 mil casos. Durante a campanha, Keiko prometeu adotar uma política de "mão dura" contra o crime organizado.

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Volta do Fujimorismo

A vitória também representa o retorno do fujimorismo ao poder, mais de duas décadas depois da queda de Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000. Enquanto seus apoiadores lhe atribuem a derrota da guerrilha Sendero Luminoso e a estabilização da economia, seus críticos lembram sua condenação por corrupção e crimes contra a humanidade.

Esse legado acompanha toda a trajetória política da filha. Administradora formada nos Estados Unidos, ex-deputada e presidente do Fuerza Popular, Keiko tornou-se primeira-dama aos 19 anos, após a separação dos pais. Seu sobrenome lhe garantiu reconhecimento nacional e uma base eleitoral fiel, mas também alimentou um forte sentimento antifujimorista que contribuiu para suas derrotas nas eleições de 2011, 2016 e 2021.

Na campanha deste ano, procurou adotar um tom mais conciliador e reconheceu erros do passado. "Cometi erros. Aprendi com eles e voltei muito mais forte", afirmou durante um debate presidencial.

Sua trajetória também foi marcada por investigações judiciais. Ela chegou a passar mais de um ano em prisão preventiva por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao escândalo da Odebrecht. O processo ainda não foi concluído.

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Keiko tomará posse em 28 de julho para um mandato de cinco anos. Até lá, deverá receber oficialmente o certificado de presidente eleita em 15 de julho. O primeiro teste de seu governo será demonstrar que consegue transformar uma vitória apertada em governabilidade e reduzir a polarização que há anos marca a política peruana.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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