O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, criticou o baixo investimento da França destinado à defesa, enquanto ressaltou a importância dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para manter a Europa segura.
Quem fala em soberania europeia "deve agir em seu próprio país" e, "infelizmente, os esforços da França têm sido insuficientes até agora para atingir" a meta de 5% do PIB para a defesa, declarou Wadephul em entrevista à rádio Deutschlandfunk nesta segunda-feira (16).
Segundo o ministro, Paris tem que seguir o exemplo de Berlim e "desenvolver a capacidade de investimento por meio de discussões difíceis, implementar medidas de austeridade no setor social e economizar também em outras áreas".
"E, acima de tudo, garantir as capacidades de defesa da Europa", frisou.
Para Wadephul, "quem ainda fala em independência dos Estados Unidos, deve, primeiro, fazer o dever de casa". Na entrevista, o alemão deixou claro que "a Europa tem muito a fazer neste sentido".
"Só podemos nos defender em conjunto com os EUA, sob seu guarda-chuva nuclear, não sozinhos. Essa é a realidade", falou Wadephul, antes de acrescentar: "Recomendo o fim desses debates sobre desafiar a aliança da Otan e sua coesão".
A declaração do ministro se dá em meio às tensões entre a Europa e o país de Donald Trump, que tem ameaçado tomar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca, membro da Otan.
Nos últimos dias, o presidente da França, Emmanuel Macron, ao receber a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o chefe do governo groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, declarou à imprensa que a situação na ilha do Ártico "é um chamado a um despertar estratégico para toda a Europa".
De acordo com o líder francês, este "despertar" deve se traduzir na afirmação da soberania europeia, no fortalecimento da contribuição do continente para a segurança do Ártico, no combate à interferência estrangeira e à desinformação, além do enfrentamento às mudanças climáticas.
Macron ainda reiterou a "solidariedade" de seu governo e seu compromisso com a soberania e a integridade territorial da Groenlândia e da Dinamarca.
Paralelamente, a Otan iniciou operações no Ártico de modo a reduzir a crise com os EUA.