Agentes dos EUA sem autorização atuam "ilegalmente" em solo das Bahamas, diz embaixador

24 set 2026 - 17h07
Resumo
O governo das Bahamas denunciou aos EUA que agentes da agência antidrogas norte-americana (DEA) atuam ilegalmente e sem autorização em seu território há anos, violando tratados e a soberania local. Apresentada em Washington, a queixa ocorre em meio a tensões geradas por investigações dos EUA que indiciaram autoridades policiais bahamenses por narcotráfico. Enquanto Washington prometeu apurar o caso, o embaixador norte-americano nas Bahamas classificou as alegações como falsas.

As Bahamas acusaram agentes ‌de agência federal dos Estados Unidos de combate às drogas (DEA, na sigla em inglês) de atuarem à revelia e ilegalmente em seu território e levantaram a questão junto ao governo Trump na semana passada, disse o embaixador do país nos EUA à Reuters ⁠nesta quinta-feira.

Autoridades das Bahamas apresentaram a reclamação na sexta-feira durante uma ‌reunião em Washington com o Departamento de Justiça dos EUA, disse Wendall Jones, embaixador das Bahamas nos EUA.

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A queixa ameaça prejudicar ‌a cooperação entre as autoridades policiais dos ‌EUA e das Bahamas, reacendendo questões sobre soberania, enquanto um ⁠importante processo judicial norte-americano contra o tráfico de drogas abala a política bahamiana.

Investigadores norte-americanos indiciaram mais de meia dúzia de bahamenses nos últimos 18 meses, incluindo membros de alto escalão da polícia e das forças de defesa do país, acusados de participar de ‌uma operação para contrabandear drogas da América do Sul, passando pelas Bahamas, para ‌os Estados Unidos.

Jones ⁠afirmou que as ⁠acusações não foram levadas em consideração na queixa apresentada pelas Bahamas alegando operações ⁠ilegais da DEA.

"Fizemos uma denúncia ‌geral sobre o comportamento ‌de agentes da DEA agindo à revelia nas Bahamas que atuam sem o consentimento do governo ou da Força Policial Real das Bahamas, e isso é uma questão de direito, uma ⁠questão de tratado", disse Jones em entrevista por telefone.

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O Departamento de Estado dos EUA, o Departamento de Justiça e a DEA não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

O jornal bahamense The Tribune foi o primeiro a noticiar ‌a denúncia. Na reportagem, o embaixador dos EUA nas Bahamas, Herschel Walker, rejeitou a acusação e a classificou como fake news.

Aliadas ⁠próximas dos EUA e localizadas a apenas 80 quilômetros de Miami, as Bahamas autorizam sete agentes da DEA a operar no país, disse Jones.

Jones não forneceu uma estimativa do número de agentes da DEA que se acredita estarem atuando sem autorização do governo das Bahamas, mas disse que isso vem ocorrendo "há muitos anos", acrescentando que o governo Trump informou às autoridades que investigará o assunto.

As Bahamas não são o único país a apresentar objeções semelhantes. Em abril, autoridades mexicanas alegaram que dois agentes norte-americanos que morreram em um acidente de carro naquele mês estavam trabalhando no país sem autorização.

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