Na ONU, Netanyahu rebate críticas a Israel e rejeita acusações de colonialismo

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, isolado no cenário internacional e envolvido em uma difícil campanha de reeleição, adotou um tom duro contra os críticos de Israel na quinta-feira (24), em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em meio às críticas internacionais à violência contra os palestinos na Cisjordânia ocupada.

24 set 2026 - 16h13
(atualizado às 16h19)
Resumo
Na ONU, Benjamin Netanyahu rebateu acusações de colonialismo, minimizou a violência de colonos e defendeu ações contra o Irã como vitais para a sobrevivência de Israel. Seu discurso provocou protestos e o abandono do plenário por delegações. Em contraste, o líder palestino Mahmoud Abbas, discursando por vídeo após ter o visto negado pelos EUA, denunciou a ofensiva israelense como um projeto colonial que ameaça a existência de seu povo, enquanto Netanyahu enfrenta críticas locais e do TPI em Nova York.

"Eles acusam Israel, o pequeno Israel, de colonialismo. Que colonialismo?", exclamou Netanyahu na tribuna. "Entre eles estão pessoas da Grã-Bretanha e da França. Meu Deus, foram eles que inventaram o termo", disse ele, enfatizando que "seus assentamentos cobrem o planeta inteiro".

A essência do conflito não é o colonialismo, mas a sobrevivência do Estado israelense, repetiu Netanyahu na ONU. 

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Ele também se referiu aos colonos extremistas como "jovens delinquentes", acusando a imprensa internacional de lhes dar atenção desproporcional.

"O que a mídia está noticiando é um punhado de jovens delinquentes", disse Benjamin Netanyahu, acrescentando que há cerca de 150 deles "atirando pedras e arrancando oliveiras".

Protesto 

Assim como no ano passado, dezenas de membros de delegações deixaram a sala durante o discurso de Netanyahu em protesto, por iniciativa da missão palestina na ONU. "Se ainda houver covardes nesta sala que não saíram, que saiam agora", declarou ele antes de começar seu discurso.

O primeiro-ministro israelense afirmou que aniquilar as instalações nucleares do Irã não foi uma tarefa simples, "mas para mim foi uma das decisões mais simples que tomei como primeiro-ministro, porque, se não tivesse feito, estaríamos todos mortos", afirmou. "Querem ouvir algo muito paradoxal. Defendendo-se, Israel defende um bom número de países cujos dirigentes acabaram de sair da sala. É uma hipocrisia impressionante", disse. 

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Netanyahu chegou a Nova York esta manhã para uma visita relâmpago de menos de 24 horas, sem reunião com autoridades americanas previstas.

Seu discurso ocorre um dia após o ataque com carro-bomba na Cisjordânia ocupada, no qual o filho do embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, ficou gravemente ferido. Segundo Leiter, seu filho, reservista do exército israelense, permanece em estado crítico.

No discurso, Netanyahu afirmou que muitos judeus "não se sentem mais seguros" desde a eleição do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a quem acusa de apoiar o Hamas. Mamdani, membro da ala mais à esquerda do Partido Democrata e defensor da causa palestina, acusa o primeiro-ministro israelense de "genocídio".

No início deste ano, o prefeito de Nova York disse que estava considerando prender o líder israelense durante a Assembleia Geral da ONU, antes de admitir que não conseguiu executar um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro, acusado de crimes de guerra e contra a humanidade.

Dezenas de manifestantes se reuniram ao longo da Primeira Avenida, que margeia a sede da ONU em Manhattan, em protesto contra a chegada do primeiro-ministro israelense. 

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Projeto colonial 

Em campanha para as eleições parlamentares de 27 de outubro, Netanyahu, à frente do governo mais à direita da história de Israel, lançou seu país em uma guerra em múltiplas frentes (Gaza, Líbano, Síria e Irã) e intensificou a atividade de assentamentos na Cisjordânia ocupada, onde a violência dos colonos aumentou desde o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Antes dele, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, forçado a discursar por vídeo após ter seu visto negado pelos Estados Unidos, declarou que as políticas israelenses não estavam mais apenas minando a solução de dois Estados, mas agora ameaçavam "a própria vida e existência" de seu povo.

"O que está acontecendo em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental não são incidentes isolados, mas sim um projeto colonial malicioso que visa tornar a vida mais difícil para os palestinos em sua pátria e forçá-los a sair", afirmou.

O líder palestino também condenou a decisão dos Estados Unidos de impedi-lo de entrar no país, assim como fizeram no ano passado, denunciando "medidas punitivas sem fundamento legal".

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RFI e AFP

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