'Acusar Israel de genocídio é a maior mentira do século', diz Netanyahu na ONU

Premiê chamou de 'covardes' quem abandonou plenário antes de seu discurso

24 set 2026 - 16h25
(atualizado às 16h35)
Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, o premiê israelense Benjamin Netanyahu rebateu acusações internacionais, chamando as denúncias de genocídio de "a maior mentira do século". O discurso gerou protestos, com a saída de diplomatas do plenário, aos quais chamou de "covardes". Netanyahu defendeu as ações militares contra o Hamas, Hezbollah e Irã, minimizou a violência de colonos na Cisjordânia, reivindicou as Colinas de Golã e agradeceu o apoio militar dos EUA, em meio a protestos do lado de fora da sede.

Dezenas de diplomatas de diversas delegações, incluindo do Brasil, deixaram a sala da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quinta-feira (24) diante da chegada do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discursar no local.

Netanyahu discursou na ONU com plenário esvaziado
Netanyahu discursou na ONU com plenário esvaziado
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Quem quer que tenha saído do plenário é um covarde moral. Se houver outros, que saiam imediatamente", afirmou Netanyahu.

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Em seu discurso, o premiê sublinhou que Israel está em "batalha pela verdade" diante da difusão de "mentiras" contra seu país.

"Acusar Israel de genocídio é a maior mentira do século", pontuou Netanyahu, que tem sido criticado internacionalmente sobre suas ações militares contra o povo palestino. As mais recentes acusações de genocídio vieram do presidente da Turquia, Recep Erdogan, durante sua participação no evento das Nações Unidas.

"Israel não cometeu genocídio, mas evitou um", disse o líder judeu, chamando Erdogan de "tirano".

Em relação à violência dos colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, Netanyahu explicou que eles "são jovens vândalos".

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"A mídia concentra-se em um punhado de jovens delinquentes, cerca de 150 pessoas, que saem por aí atirando pedras ou cortando oliveiras", declarou o premiê, antes de acrescentar: "Não posso tolerar atos de justiça pelas próprias mãos".

Ainda no "combate às mentiras", Netanyahu atacou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, o primeiro muçulmano a ocupar o cargo na cidade.

"Tenha vergonha de propagar mentiras. Muitos judeus em Nova York se sentem inseguros desde que você foi eleito", falou Netanyahu, que acusa Mamdani de apoiar o Hamas.

O líder israelense defendeu sua política militar no Oriente Médio, repetindo, diversas vezes, que ao "neutralizar as capacidades nucleares do Irã", na guerra iniciada em conjunto com os Estados Unidos em fevereiro, Israel também defendeu muitos dos países cujos delegados acabavam de deixar o plenário, descrevendo o protesto como um "exemplo de hipocrisia desconcertante".

"Atacar o Irã foi a decisão mais fácil que já tomei como primeiro-ministro", disse Netanyahu, segundo o qual, se não tivesse feito isso, "estaríamos todos mortos".

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Ele também frisou a necessidade de combate contra o Hamas e o Hezbollah.

"Os monstros do Hamas mataram sobreviventes do Holocausto, estupraram nossas mulheres e mataram crianças", citou Netanyahu, referindo-se ao ataque de 7 de outubro de 2023 em território israelense.

"Eles achavam que nos aterrorizariam, mas, em vez disso, lutamos como leões", acrescentou, destacando o fato de um "país pequeno como Israel ter combatido em sete frentes".

"Desferimos golpes pesados contra o Hamas e atingimos o Hezbollah com força", reforçou Netanyahu sobre as ações de seu governo nos últimos três anos.

O premiê também rebateu os comentários do presidente da Síria, Ahmad al-Sharaa, que ontem, declarou na Assembleia da ONU que as Colinas de Golã, território sírio anexado por Israel, "permanecerá" com Damasco.

"Estamos nas Colinas de Golã desde os tempos de Moisés", replicou o chefe de Tel Aviv, lançando, por fim, agradecimentos ao presidente americano, Donald Trump, sobre a parceria no Oriente Médio.

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"Israel e EUA agiram juntos para salvar a humanidade", disse Netanyahu sobre a guerra em curso na região iniciada contra o Irã.

Do lado de fora do prédio da ONU, manifestantes protestaram contra a participação de Netanyahu na Assembleia Geral. Ao menos três pessoas foram detidas durante o ato, entre elas, a atriz Susan Sarandon. 

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