O governo local menciona um número bastante superior de participantes, de cerca de um milhão de pessoas. "Viva o papa!", cantava a multidão quando o pontífice americano chegou no papamóvel à esplanada do Estádio Japoma. Leão XIV acenou com ramos de oliveira, símbolo da paz, e bandeiras do Vaticano.
Em sua homilia, proferida em francês, o papa conclamou os camaroneses a serem "agentes do futuro" e a "rejeitarem todas as formas de abuso e violência". "Não se entreguem ao desespero ou ao desânimo", disse ele.
Referindo-se ao milagre da multiplicação dos pães narrado nos Evangelhos, o papa afirmou: "Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado, não com mão que arrebata, mas com mão que dá".
Em meio a um forte esquema de segurança, alguns camaroneses passaram a noite no estádio para conseguir um lugar na primeira fila durante a missa. "Ver o papa me deu uma sensação de libertação. Fiquei profundamente comovida com sua mensagem, especialmente com seu apelo à partilha", confidenciou Edith Fifi, uma esteticista de 25 anos.
Discursos com foco social
Desde sua chegada ao país, na quinta-feira (16), os pronunciamentos do pontífice têm sido marcados por um forte foco social: na quinta-feira, ele denunciou "o mal causado de fora, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a se apoderar do continente africano para explorá-lo e saqueá-lo".
"O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas se mantém unido por uma multidão de irmãos e irmãs em solidariedade!", reiterou o papa em Bamenda, capital da região noroeste de língua inglesa, assolada por um conflito entre as forças governamentais e grupos separatistas armados.
Diante das autoridades, principalmente de Paul Biya, de 93 anos, que está no poder desde 1982 e foi recentemente reeleito para um oitavo mandato, o pontífice proferiu um discurso firme, apelando para "quebrar as correntes da corrupção".
A reeleição de Biya, em outubro, desencadeou protestos, durante os quais 48 pessoas foram mortas pelas forças de segurança, segundo fontes da ONU, quase metade delas na região de Douala.
Giro pela África
Após a missa, o papa visitará o Hospital Católico de São Paulo, em Douala, e retornará a Yaoundé, onde discursará para a comunidade acadêmica. Ele concluirá sua visita com uma celebração litúrgica privada na manhã de sábado.
"Nosso país precisa de uma poderosa bênção para que a esperança renasça", declarou o bispo Léopold Bayemi Matjei de Obala, a cerca de uma hora ao norte de Yaoundé.
O pontífice continuará esta intensa viagem por Angola e Guiné Equatorial, até 23 de abril. A etapa inicial foi uma visita histórica à Argélia.
Com AFP e Reuters