Liza Fabbian, da RFI em Paris e agências
Entre encontros políticos, negociações sobre migração circular e uma aposta clara no setor industrial, o objetivo do presidente senegalês é transformar uma cooperação historicamente focada em segurança em uma parceria econômica de longo prazo.
Faye viaja para reforçar a cooperação bilateral em um momento em que a Espanha - que mantém laços geográficos diretos com a África por meio das Ilhas Canárias e das cidades autônomas de Ceuta e Melilla - busca ampliar sua presença na África Ocidental. Um dos pilares dessa estratégia é o plano África-Espanha 2025-2028, que reflete "a vontade da Espanha de apresentar um discurso renovado, que não esteja centrado apenas na segurança, nas rotas migratórias ou no desenvolvimento", observa a pesquisadora Beatriz de León Cobo.
"Esse novo plano considera a África como um continente de oportunidades. É uma visão compartilhada de forma mais ampla no nível europeu", ela destaca à RFI.
Outro instrumento dessa aproximação é a iniciativa Alianza África Avanza, lançada em 2024 para estimular investimentos espanhóis na região e fortalecer a atuação das câmaras de comércio no continente.
Migração circular em foco
A política migratória espanhola continua diretamente ligada aos seus investimentos. Programas de migração circular buscam articular "cooperação" com países de origem e trânsito. Por exemplo, um acordo com o Senegal permite que trabalhadores viajem para a Espanha para atividades agrícolas sazonais, retornando depois com novas qualificações.
Apesar do potencial, o alcance ainda é reduzido: cerca de 500 senegaleses participaram do programa em 2025. Paralelamente, a Espanha financia ações de segurança marítima em acordos com Mauritânia e Marrocos.
Fórum empresarial e aposta industrial
A agenda de Faye inclui um fórum empresarial na quarta-feira (25), organizado pela Câmara de Comércio Espanhola, considerado o ponto alto da visita.
Acompanhado do ministro da Economia, Abdourrahmane Sarr, o presidente senegalês busca atrair investimentos industriais e ampliar o envolvimento das cerca de 70 empresas espanholas já instaladas no Senegal, um número que, segundo ambos os governos, ainda está longe do potencial real.