"Assinaremos em 17 de janeiro, no Paraguai, um acordo histórico, o mais ambicioso entre os dois blocos", declarou o ministro na rede social X. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou um 'acordo histórico' com a América Latina, e disse estar 'ansiosa' para assiná-lo.
O presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva comemorou a aprovação da assinatura do acordo pela UE nesta sexta-feira, que chamou de "dia histórico para o multilateralismo". Segundo o chefe de Estado, "num contexto internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é um sinal a favor do comércio internacional como motor do crescimento econômico, com benefícios para ambos os blocos".
O acordo cria uma das maiores zonas de livre‑comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. Mas a assinatura teve de ser adiada devido às divisões europeias.
O tratado permite aos europeus exportar mais veículos, máquinas, vinhos e destilados à América do Sul e facilita a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul‑americanos. Nesta sexta‑feira, os Estados‑membros da União Europeia aprovaram a assinatura do texto após mais de 25 anos de negociações e apesar da oposição de vários países.
MÁS COMERCIO, MÁS INVERSIÓN y MÁS EMPLEO:
✅ EL CONSEJO EUROPEO AUTORIZA LA FIRMA DEL ACUERDO MERCOSUR-UE
Luego de más de 30 años de negociaciones, firmaremos el 17 de enero en Paraguay un acuerdo histórico y el más ambicioso entre ambos bloques.
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— Pablo Quirno (@pabloquirno) January 9, 2026
Os embaixadores dos 27 reunidos em Bruxelas deram o aval para a assinatura, decisão confirmada em seguida pelos governos da UE.
A Comissão Europeia, que concluiu as negociações há um ano, e países como Alemanha e Espanha, sustentam que o acordo é um elemento central da estratégia europeia para abrir novos mercados, que reduzirá o impacto das tarifas americanas e a dependência em relação à China, especialmente no caso de minerais como lítio para baterias.
Os opositores do acordo, como a França — maior produtor agrícola da UE —, temem um aumento das importações de alimentos mais baratos, especialmente carne bovina, frango e açúcar, em detrimento da agricultura local. Paris votou contra o acordo, mas ao menos 15 países, representando 65% da população total do bloco, votaram a favor — o suficiente para aprová‑lo, disseram fontes e diplomatas europeus.
Segundo um diplomata e o ministro polonês da Agricultura, 21 países votaram a favor. França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia se opuseram, e a Bélgica se absteve. Em comunicado, o chanceler alemão Friedrich Merz comemorou "uma etapa importante". "Mas 25 anos de negociações é tempo demais. É essencial que os próximos acordos de livre‑comércio sejam concluídos rapidamente", acrescentou.
Parlamento Europeu também terá de se pronunciar
O Parlamento Europeu terá de aprovar o acordo antes que ele entre em vigor. Segundo o jornal francês Le Monde, os eurodeputados preocupam-se com a legalidade de um mecanismo do tratado chamado de "mecanismo de reequilíbrio". Ele permitiria ao Mercosul adotar medidas compensatórias caso futuras leis europeias provocassem queda em suas exportações.
O Parlamento poderá consultar o Tribunal de Justiça da UE (TJUE) sobre o dispositivo e a questão deve ser votada em Estrasburgo em janeiro ou fevereiro. Se os eurodeputados aprovarem a consulta, o acordo ficará suspenso até que o TJUE se posicione sobre a questão.
Diante desse risco e da pressão da Espanha e da Alemanha, a Comissão não descarta a entrada em vigor do acordo sem aguardar o voto dos eurodeputados, que podem invalidar o tratado se ele não for ratificado.
O acordo com o Mercosul é o mais importante já assinado pela UE em termos de redução tarifária, pois eliminaria € 4 bilhões em sobretaxas sobre exportações. O comércio de bens entre UE e Mercosul somou € 111 bilhões em 2024.
A Comissão Europeia criou salvaguardas para suspender importações de produtos agrícolas sensíveis, forçou os controles de importação e propôs liberar antecipadamente parte dos fundos destinados à agricultura no próximo orçamento plurianual da UE.
Com agências