Lula critica propostas unilaterais de Trump e aponta crise no multilateralismo

Em evento na Bahia, o presidente brasileiro afirmou que a Carta da ONU está sendo ignorada e defendeu o diálogo contra a "lei do mais forte" no cenário global

23 jan 2026 - 20h04

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom das críticas à atual configuração da política externa global durante discurso em Salvador, nesta sexta-feira (23). O foco principal das declarações foi a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o avanço do unilateralismo, que Lula descreveu como o abandono das normas estabelecidas pela Carta das Nações Unidas (ONU) em favor da "lei do mais forte".

Lula
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Perfil Brasil

A análise do mandatário brasileiro ocorre em um momento de tensão nas relações internacionais. Lula mencionou especificamente as recentes movimentações de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial, onde o líder estadunidense reiterou o interesse em adquirir a Groenlândia e apresentou planos de desenvolvimento comercial para áreas de conflito, como a Faixa de Gaza.

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Para Lula, tais posturas personificam o enfraquecimento das instituições coletivas. Ele argumentou que, em vez de reformar o Conselho de Segurança da ONU — integrando países como Brasil, México e nações africanas para ampliar a representatividade —, o atual cenário mostra uma tentativa de estabelecer uma nova ordem sob influência exclusiva de Washington.

Frente ao que classifica como instabilidade democrática e riscos políticos para 2026, o presidente brasileiro detalhou uma agenda de intensos contatos diplomáticos. Nas últimas semanas, Lula manteve conversas com líderes de diversas orientações e blocos, incluindo:

  • Rússia e China: Vladimir Putin e Xi Jinping;

  • Ásia e Europa: Primeiro-ministro da Índia e lideranças da Hungria;

  • América Latina: Representantes do México e países vizinhos.

O objetivo dessas interlocuções é a organização de uma cúpula internacional para reafirmar o multilateralismo. Lula reforçou que o Brasil busca uma política externa pragmática e independente, mantendo canais abertos com as principais potências globais — como EUA e China — sem aceitar condições de subordinação ou alinhamentos automáticos.

Ao rebater discursos que priorizam a força militar e o armamento como ferramentas de persuasão, o presidente brasileiro afirmou que o país não pretende entrar em disputas bélicas. Ele destacou que a superioridade militar não deve ser o critério de governança mundial e que a estratégia brasileira se baseia no "poder do convencimento".

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Lula finalizou pontuando que a democracia é a ferramenta mais eficaz para a cooperação internacional, contrapondo-se à lógica de intimidação e buscando soluções mediadas por argumentos e narrativas diplomáticas no lugar de confrontos armados.

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