Depoimento de Daniel Vorcaro à PF detalha crise do Banco Master

Em transcrição acessada pela Polícia Federal, o proprietário da instituição liquidada explica a dependência do FGC e os problemas de liquidez que antecederam a intervenção

23 jan 2026 - 20h31

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) detalhando os mecanismos operacionais e a crise financeira que levaram à liquidação da instituição pelo Banco Central (BC). Segundo a transcrição do depoimento ocorrido em dezembro, Vorcaro confirmou que a instituição enfrentava dificuldades de liquidez — condição em que a entidade não possui recursos imediatos para cumprir obrigações financeiras — e que sua estratégia era fundamentada nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

O blog da Andréia Sadi, no g1, teve acesso à transcrição do depoimento dado em dezembro à delegada da PF responsável pelo caso. Durante a oitiva, Vorcaro afirmou que a estrutura de captação do Banco Master era integralmente baseada nas garantias oferecidas pelo FGC. O empresário sustentou que a prática estava em conformidade com as normas vigentes à época. O FGC é uma entidade privada que protege investidores em casos de falência bancária, garantindo depósitos de até R$ 250 mil por CPF.

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O Banco Master era reconhecido no mercado por oferecer CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com rentabilidades significativamente superiores à média do setor, que geralmente oscila entre 110% e 120% do CDI. Essa estratégia visava atrair um grande volume de investidores, mas gerou desconfiança sobre a capacidade de pagamento, uma vez que o banco possuía ativos de baixa liquidez, como precatórios e carteiras de crédito de difícil conversão imediata em caixa.

De acordo com o depoimento, a crise foi acentuada por mudanças regulatórias promovidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em agosto. As novas regras impuseram:

  • Aumento de taxas: Elevação da contribuição extra ao FGC para bancos de maior risco (de 0,01% para 0,02%).

  • Gatilhos antecipados: Cobrança de taxas adicionais quando depósitos cobertos atingem 60% do limite.

  • Investimento em títulos públicos: Exigência de aplicação do excedente patrimonial em ativos federais de segurança.

Daniel Vorcaro alegou que essas alterações, somadas a uma suposta pressão de outras instituições bancárias, prejudicaram a captação de recursos. O Banco Central, ao decretar a liquidação em novembro, citou a falta de liquidez e violações graves às normas do sistema financeiro.

Para tentar sustentar a operação durante o período de instabilidade, o proprietário afirmou ter aportado aproximadamente R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal. No entanto, a liquidação resultou no maior pagamento da história do FGC, estimado em R$ 41 bilhões para cobrir cerca de 600 mil credores.

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O processo de ressarcimento aos investidores teve início no dia 19, seguindo os trâmites regulamentares para a proteção de correntistas e aplicadores da instituição.

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