O Kremlin celebrou como um marco histórico a decisão de Donald Trump de suspender temporariamente um novo pacote de sanções econômicas contra a Rússia. O presidente dos EUA justificou a medida pelo "interesse nacional", após fechar um acordo para importar diesel russo e conter os preços dos combustíveis. A suspensão recebeu fortes críticas bipartidárias no Congresso americano, sob o alerta de que o comércio de combustíveis ajudará Moscou a financiar a guerra na Ucrânia.
Moscou fala em "momento histórico". Presidente americano alega que suspensão de novo pacote de sanções aprovado pelo Congresso atende ao "interesse nacional", dias após fechar acordo para importação de diesel russo.O Kremlin saudou neste sábado (17/10) a suspensão de um novo pacote de sanções dos EUA destinado à economia russa, decretada pelo presidente Donald Trump contra a vontade do Congresso dos EUA.
Para Kirill Dmitriev, conselheiro do Kremlin para cooperação econômica internacional, essa decisão do presidente americano constitui um "momento histórico" na relação entre os dois países.
"A suspensão da lei Graham pela administração Trump é um momento importante e verdadeiramente histórico", disse, nas redes sociais, Kirill Dmitriev, algumas horas após a assinatura, por Trump, de um decreto que suspende as novas sanções contra Moscou.
Trump assinou nesta sexta-feira uma ordem executiva que suspende temporariamente a aplicação de um amplo pacote de sanções contra a Rússia, ao argumentar que a medida responde ao interesse nacional, segundo a Casa Branca.
A decisão afeta uma lei batizada com o nome do falecido senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que busca endurecer as sanções contra a economia russa e limitar o fluxo de recursos financeiros que contribuem para sustentar a guerra contra a Ucrânia.
"Interesse nacional"
Trump justificou a ação ao Congresso por considerar que responde ao "interesse nacional" dos Estados Unidos.
Ele havia promulgado essa legislação em 18 de setembro, mas agora isentou temporariamente a aplicação de várias de suas disposições.
Em particular, a ordem isenta as sanções contra pessoas e entidades vinculadas ao governo russo, as restrições financeiras e comerciais e as tarifas previstas para os produtos russos, e os procedentes de determinados países compradores de petróleo e gás da Rússia.
A decisão não elimina as sanções que os Estados Unidos já haviam imposto à Rússia mediante ordens executivas anteriores.
As isenções da nova lei permanecerão vigentes até que Trump ou o secretário de Estado, em consulta com o secretário do Tesouro e o representante comercial americano, determinem adotar novas medidas.
A ordem também delega a vários departamentos do governo a aplicação das disposições da lei que continuam vigentes.
Acordo sobre diesel russo
A decisão ocorre depois de Washington autorizar temporariamente as operações comerciais com diesel de origem russa até 7 de abril de 2027, incluindo sua importação para os Estados Unidos, apesar das sanções vigentes contra Moscou.
Trump anunciou no último dia 9 que havia acertado com o presidente russo,Vladimir Putin, o fornecimento de diesel para os mercados internacionais, com o objetivo de aliviar os preços da energia e dos combustíveis.
O presidente americano afirmou que a Rússia entregaria inicialmente mais de 300 mil toneladas de combustível e posteriormente forneceria quantidades adicionais, condicionadas em parte ao estado de suas refinarias.
O acordo gerou críticas de congressistas dos dois grandes partidos americanos (Republicano e Democrata), que questionam seus possíveis efeitos sobre a pressão econômica contra Moscou e sua compatibilidade com a legislação dos EUA.
Os críticos advertem que as receitas derivadas da venda de combustível russo poderiam contribuir para financiar a guerra contra a Ucrânia, enquanto o governo defende a necessidade de conter os custos de energia.
md (Lusa, EFE)
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