A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, se manifestou após a Justiça Eleitoral de Minas Gerais determinar a abertura de um inquérito policial para investigar publicações feitas por ela nas redes sociais. A medida foi tomada após uma representação da equipe jurídica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que questionou mensagens sobre uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Em uma postagem no Instagram feita nesta quarta-feira (14), ela disse: "Veja esta publicação, antes que o Flávio Bolsonaro recorra a justiça para que eu tire do ar. Por que tanto medo, Flávio?". Na publicação ela diz que o candidato à presiddência tenta impedi-la de falar sobre as eleições em suas redes sociais.
"Eu sou uma 'menina' de 21 anos, do interior de Minas Gerais. Recebi 524 mil votos e tenho quatro milhões de seguidores. Mas eu pergunto: Por que o candidato à presidência da república tem tando medo do que tenho a dizer?", escreveu ela, que recebeu milhares de mensagens de apoio, incluindo famosos: Débora Nascimento, Patrícia Pillar, Marcelo Adnet e Letícia Sabatella foram alguns deles.
Ana Elisa afirmou através de sua assessoria que ainda não teve acesso ao processo e criticou a iniciativa judicial.
“O processo está correndo em sigilo, não é a primeira tentativa do Flávio de me calar, não tem como eu falar nada sobre, pois ainda não tivemos acesso ao inquérito. Quando tiver acesso, me pronunciarei a tempo e modo”, declarou a assessoria da parlamentar em nota publicada no Metrópoles.
A investigação será conduzida pela Polícia Federal em Divinópolis, cidade mineira ligada à trajetória política da deputada. A decisão foi assinada pelo juiz eleitoral Orlando Israel de Souza, da 103ª Zona Eleitoral, após manifestação favorável do Ministério Público Eleitoral.
Entenda por que Ana Elisa virou alvo de investigação
A polêmica envolve publicações feitas por Ana Elisa na rede social X, antigo Twitter, entre 24 de setembro e 8 de outubro. Nas mensagens, ela afirmou que apoiadores de Flávio Bolsonaro estariam tentando retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A equipe jurídica do candidato apresentou uma notícia-crime alegando que as publicações poderiam configurar divulgação de fatos sabidamente inverídicos durante a campanha eleitoral. A conduta é prevista no artigo 323 do Código Eleitoral.
A discussão tem como pano de fundo um projeto de lei apresentado há quase 20 anos, que previa mudanças relacionadas ao reconhecimento oficial da padroeira do Brasil. A proposta acabou arquivada e não resultou na retirada do título religioso.
Flávio Bolsonaro nega defender a mudança e sustenta que a circulação dessas mensagens atribui a ele uma posição que não corresponde ao que defende. A Justiça determinou que a plataforma X preserve as publicações investigadas. A decisão, porém, não proibiu Ana Elisa de fazer novas postagens sobre a disputa presidencial.
Juiz não proibiu novas publicações da deputada
Embora tenha autorizado a abertura da investigação, o juiz eleitoral não acolheu o pedido para impedir genericamente que Ana Elisa publicasse conteúdos relacionados à eleição. O Ministério Público Eleitoral considerou que uma proibição ampla seria indeterminada. A apuração, portanto, deverá se concentrar nas publicações específicas que motivaram a representação.
A abertura do inquérito não significa que a deputada tenha sido condenada ou que o crime eleitoral esteja comprovado. A investigação deverá reunir elementos para esclarecer os fatos e avaliar se houve alguma infração.
Ana Elisa ganhou projeção nacional após ser eleita deputada federal por Minas Gerais em 2026, com 524.219 votos. Aos 21 anos, ela se tornou a deputada federal mais jovem eleita no país e passou a colaborar com a estratégia de comunicação digital da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial.