Donald Trump revogou sanções e tarifas alfandegárias contra o setor energético russo, previstas pela Lei Graham, apenas dois dias antes de entrarem em vigor. A decisão foi celebrada pelo Kremlin como um momento histórico e vitória diplomática, mas aprofundou a crise com a Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky declarou sentir-se traído em meio ao quinto ano da ofensiva de Vladimir Putin e pediu 70 bilhões de dólares a aliados europeus para continuar financiando a resistência militar ucraniana.
"A suspensão da Lei Graham pela administração Trump é um momento importante e verdadeiramente histórico", escreveu nas redes sociais Kirill Dmitriev, assessor do Kremlin para a cooperação econômica internacional.
Na sexta-feira, Donald Trump assinou um decreto presidencial que revogou amplas sanções e tarifas alfandegárias dos Estados Unidos voltadas às receitas energéticas da Rússia, apenas dois dias antes de sua entrada em vigor.
O presidente americano tomou a decisão em meio ao agravamento das tensões com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante o quinto ano da ofensiva russa contra a Ucrânia, conflito que já deixou centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados.
O Kremlin e o presidente russo, Vladimir Putin, que na sexta-feira apareceu de uniforme militar e afirmou que Moscou pretende tomar o restante do território ucraniano, ainda não haviam comentado oficialmente a medida, considerada uma importante vitória diplomática para a Rússia.
Crise com a Ucrânia
Batizada em homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, morto em julho e autor da proposta, a chamada Lei Graham foi promulgada em meados de setembro. O pacote de sanções tinha como principal alvo o setor energético russo.
Pela primeira vez, o instrumento previa atingir a chamada "frota fantasma" utilizada pela Rússia para driblar restrições internacionais. As medidas também miravam diretamente Vladimir Putin e outras altas autoridades russas.
A lei concedia a Donald Trump o poder de impor tarifas de até 100% aos cinco maiores importadores de petróleo e gás russos, entre eles China e Índia.
Segundo Dmitriev, a legislação provocaria "sérios danos, acima de tudo, à economia americana e aos mercados globais".
Os países ocidentais adotaram duras sanções contra a Rússia após o início da invasão da Ucrânia, em 2022.
A suspensão das medidas tende a aprofundar a crise entre Washington e Kiev. Abalado pelas recentes declarações de Trump favoráveis a Moscou, Volodymyr Zelensky afirmou sentir-se "traído" e voltou a recorrer ao apoio dos aliados europeus. O presidente ucraniano pediu US$ 70 bilhões (cerca de R$ 380 bilhões) adicionais para financiar a resistência à invasão russa.
Com AFP