O Irã autorizou a passagem de petroleiros iraquianos pelo Estreito de Ormuz após negociações em Bagdá com o presidente do Parlamento iraniano. Altamente dependente da exportação de óleo cru e sem frota naval própria, o Iraque solicitou um regime especial para amenizar os impactos econômicos causados pelo bloqueio da rota, afetada pelas tensões militares entre Teerã e Washington. Paralelamente, o governo iraquiano busca rotas alternativas por portos na Turquia, Síria e Jordânia.
Medida é anunciada após visita de liderança iraniana ao Iraque. Estreito é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.O Irã concedeu permissão para que "vários" petroleiros iraquianos atravessem o Estreito de Ormuz, medida anunciada após a visita ao país vizinho do presidente do Parlamento e negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo informou neste sábado (22/08) a agência de notícias estatal Irna.
"A República Islâmica do Irã, apesar de estar submetida às ações militares mais severas e à intensa insegurança gerada no Estreito de Ormuz pelas ações hostis dos Estados Unidos da América, concedeu permissão para que vários petroleiros iraquianos atravessem o Estreito de Ormuz", destacou a Irna.
A agência oficial iraniana não ofereceu mais detalhes sobre a concessão da permissão aos navios iraquianos para cruzar o estreito, bloqueado por Teerã devido à guerra com os Estados Unidos.
Pedido por revisão nas relações Iraque-Irã
Por sua vez, o presidente do Iraque, Nizar Amedi, afirmou neste sábado, no âmbito da oitava Conferência de Diálogo de Bagdá, que o país tem "problemas para transportar petróleo pela falta de uma companhia de navegação nacional", motivo pelo qual o Executivo iraquiano solicitou uma revisão das relações Iraque-Irã ao presidente do Parlamento iraniano para atender a essa questão.
Assim, o anúncio ocorre depois de o chefe do Parlamento iraquiano, Haibat al Halbousi, ter pedido nesta semana a Ghalibaf, durante sua visita a Bagdá, que o Iraque gozasse de um "status especial no que diz respeito à exportação de petróleo através do Estreito de Ormuz, a fim de salvaguardar seus interesses econômicos".
Um dos países mais afetados
Al Halbousi argumentou na ocasião que o Iraque é "um dos países mais afetados pelas circunstâncias e pelos acontecimentos na região".
Após essa solicitação, "facilita-se a passagem de alguns navios-tanque que transportam petróleo iraquiano pelo Estreito de Ormuz", confirmou hoje a agência nacional de notícias iraquiana Ina.
O Iraque é um dos países mais afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo regime islâmico do Irã. O tráfego pelo estreito permanece bem abaixo dos níveis anteriores à guerra, enquanto embarcações continuam sofrendo ataques na região.
Diante dessa situação, Bagdá trabalha para ampliar suas exportações de petróleo bruto pelo porto turco de Ceyhan e planeja começar a utilizar também os portos de Baniyas, na Síria, e Aqaba, na Jordânia, afirmou na sexta-feira o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi.
O Iraque é o segundo maior produtor de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e depende em grande medida das exportações de óleo cru para as receitas do governo.
O Estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás e se tornou um dos principais pontos de tensão do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
md (EFE, Reuters)
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