Os Estados Unidos, a pouco mais de 100 dias de sediarem a Copa do Mundo de futebol masculino, iniciaram no sábado (28/2) uma operação militar conjunta com Israel contra o Irã. O conflito resultou em ações retaliatórias no Golfo Pérsico e levanta questões sobre a viabilidade da participação da seleção iraniana no torneio, para o qual já está classificada. Esta seria a quarta participação consecutiva do país, com partidas previstas para as cidades de Los Angeles e Seattle.
O presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, manifestou dúvidas quanto à presença da equipe na competição em razão dos ataques sofridos. A decisão ocorre em um cenário de instabilidade política interna após a morte do líder supremo Ali Khamenei. Analistas do setor internacional, como Sanam Vakil, do centro de estudos Chatham House, indicam que o estágio atual do confronto é visto por Teerã como uma questão de sobrevivência do regime, sem previsão de término imediato.
A Fifa comunicou que monitora a situação e mantém a expectativa de contar com a participação de todas as seleções. O secretário-geral da entidade, Mattias Grafstrom, reiterou o objetivo de realizar um evento seguro. Caso ocorra uma desistência ou exclusão, os regulamentos permitem que a Fifa substitua a associação por outra na Copa do Mundo. Entre os possíveis substitutos da Confederação Asiática de Futebol (AFC) estão as seleções do Iraque ou dos Emirados Árabes Unidos.
A realização do torneio enfrenta desafios logísticos e diplomáticos. Existe uma ordem executiva vigente que restringe a entrada de cidadãos de 12 países nos Estados Unidos, incluindo o Irã, embora atletas possuam exceções. Além disso, a segurança em torno da base de treinamento iraniana no Arizona e dos jogos em Los Angeles — cidade com expressiva comunidade imigrante — é alvo de atenção devido ao histórico de protestos em edições anteriores.
O cenário é agravado por tensões externas e internas dos anfitriões, incluindo tarifas comerciais aplicadas ao Canadá e instabilidades na fronteira com o México. No âmbito institucional, a Fifa enfrenta críticas pelo alinhamento com a administração de Donald Trump, que recebeu um "Prêmio da Paz" da entidade em dezembro. Movimentos políticos em países como Reino Unido e Alemanha já ventilaram discussões sobre sanções ou boicotes em resposta às operações militares americanas, enquanto a Fifa mantém o discurso de neutralidade estatutária diante de problemas geopolíticos.