O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) partiu na noite deste domingo (24/05) rumo a Washington D.C., onde espera se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro quer reforçar seu perfil internacional e buscar uma agenda positiva após a revelação de suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master.
A audiência com Trump está planejada para a tarde desta terça-feira, segundo informou o jornal O Globo, embora nem o senador nem a Casa Branca tenham confirmado a agenda publicamente até o momento.
Três semanas antes, Trump recebera o presidente Lula na Casa Branca, em um encontro visto pelos dois como positivo.
Segundo o portal g1, Flávio quer tratar principalmente de dois assuntos com Trump: a classificação das facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas e a garantia da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil.
Os dois assuntos são bandeiras do governo Trump, e vistos com reserva pelo governo brasileiro. O temor é de que ambos os assuntos possam ser usados como pretexto para intervenções indevidas dos EUA no Brasil e manipulação do eleitorado nas redes em ano de campanha eleitoral.
Pessoas próximas do senador afirmam que a reunião com Trump teria sido proposta pela própria Casa Branca após contatos intermediados pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), informou a BBC Brasil.
Ainda de acordo com a BBC, a expectativa é de que Flávio se reúna também com integrantes do segundo escalão do Departamento de Estado, pasta do governo americano equivalente ao Itamaraty.
Escândalo do Banco Master respinga na família Bolsonaro
A ida de Flávio aos EUA acontece em um momento delicado para a candidatura do político de ultradireita, após o vazamento recente de conversas entre ele e Vorcaro, do Banco Master - suspeito de operar a maior fraude financeira da história do país.
Nos áudios, o senador chama Vorcaro de "irmão" e pede 24 milhões de dólares (à época equivalente a cerca de R$ 134 milhões) para supostamente financiar uma cinebiografia do pai.
Flávio Bolsonaro reconheceu o vínculo com o banqueiro, mas negou que haja qualquer irregularidade no financiamento, por se tratar de "dinheiro privado".
A Polícia Federal, contudo, investiga se parte do dinheiro do banqueiro foi usada para outros fins - por exemplo, para bancar despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho de Bolsonaro que vive nos EUA desde março do ano passado.
O episódio fez com que Flávio recuasse alguns pontos nas últimas pesquisas eleitorais, depois de aparecer anteriormente em empate técnico com Lula.
Afinidade ideológica
A família Bolsonaro compartilha certa afinidade ideológica com o presidente americano. O chefe da Casa Branca chegou a tentar interferir no julgamento de Bolsonaro por envolvimento na trama golpista, pressionando membros dos Supremo Tribunal Federal (STF) e impondo uma sobretaxa de 50% sobre as exportações brasileiras.
Na época, a ação de Trump foi atribuída, em parte, a uma articulação de Eduardo Bolsonaro, que mantém boas relações com alguns emissários da Casa Branca. Por causa desse episódio, Eduardo passou a responder em fevereiro deste ano a um processo no STF por coação.
Trump, eventualmente, acabou recuando das medidas retaliatórias contra o Brasil após negociações com o governo brasileiro.