Flávio Bolsonaro diz a jornal americano que fugiu sozinho do Brasil

5 nov 2026 - 19h56
Resumo
Em entrevista ao The New York Times, o senador Flávio Bolsonaro afirmou ter fugido sozinho aos EUA para evitar ser preso após perder a eleição presidencial. Apesar de negar ajuda, indícios revelam apoio logístico externo, como transporte providenciado pela Casa Branca e escolta argentina. Investigado por corrupção, Flávio desembarcou com visto humanitário, voltou a contestar o resultado eleitoral sem apresentar provas e disse planejar articular no exterior a anistia de seu pai, Jair Bolsonaro.

Candidato derrotado à Presidência afirma ao "NYT" que vai "levar para o túmulo" segredo sobre como chegou aos EUA: "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, nenhum governo."Em sua primeira entrevista desde que fugiu do Brasil, o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que a decisão de deixar o país foi espontânea, e negou ter sido ajudado por governos estrangeiros — a despeito de uma série de indícios que sugerem o contrário.

"Fui eu que fiz tudo", assegurou ao jornal The New York Times, que publicou trechos da conversa nesta quinta-feira (05/11). "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, nenhum governo."

Publicidade

Segundo o próprio NYT, porém, foi a Casa Branca quem providenciou o jatinho que o levou de Puerto Iguazú, na Argentina, até Miami, nos EUA. E os carros com placa brasileira que chegaram ao aeroporto horas antes de a aeronave decolar tinham escolta da polícia argentina.

Ao aterrissar nos EUA, Flávio, a esposa e as duas filhas do casal receberam vistos normalmente concedidos por razões humanitárias.

Além disso, a família deixou o aeroporto em Miami em um comboio, sob escolta de oficiais americanos. Uma quinta pessoa que desembarcou junto teve a identidade protegida.

Como mostrou o Fantástico, a operação para retirar Flávio do Brasil também teria contado com a ajuda de um ex-agente do Mossad, o serviço secreto israelense.

Publicidade

A colunista Bela Megale, do jornal O Globo, também apontou que a fuga do senador, longe de ter sido uma decisão espontânea, já estava traçada há semanas.

"Vou levar isso para o túmulo", diz Flávio ao ser indagado sobre como chegou aos EUA

Indagado pelo NYT sobre como chegou aos EUA, Flávio respondeu: "Isso eu vou levar para o túmulo comigo".

Segundo ele, a decisão de fugir foi tomada na manhã seguinte à derrota nas eleições, para evitar uma prisão que considerava inevitável.

Investigado no Brasil em casos relacionados a lavagem de dinheiro e corrupção, Flávio — que afirma ser inocente — deixou o país após a Justiça determinar a entrega de seus passaportes.

Ao chegar nos EUA, ele divulgou uma carta golpista em que se apresentava como o "verdadeiro presidente" do Brasil, para depois substituir o termo por "líder" em uma segunda versão.

Publicidade

O documento traz uma série de argumentos infundados e incoerentes contestando o resultado das eleições.

A lisura do pleito, contudo, foi atestada por observadores internacionais e pelo Tribunal Superior Eleitoral, comandado por Kassio Nunes Marques, indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro. E os resultados foram reconhecidos até mesmo por aliados de Flávio.

Na entrevista, o senador voltou a insistir que a eleição teria sido fraudada, sem apresentar provas.

"Sei que não vai dar em nada", afirmou, sobre sua tentativa de contestar a eleição. "Perdi para o sistema."

Flávio, porém, disse que pretende mobilizar aliados do exterior em favor de sua agenda, que inclui a redução da maioridade penal e a anistia para seu pai Jair, preso por tentativa de golpe de Estado, e demais condenados por atos golpistas.

Ao mesmo tempo, o senador evitou responder à pergunta sobre se planeja trabalhar por sanções do governo de Donald Trump ao Brasil, e disse que pretende "seguir em frente" com a vida nos EUA.

Publicidade

"Pelo menos por enquanto", afirmou. "Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente."

Mesmo após Trump afirmar que não pretende se reunir com o brasileiro, aliados de Flávio esperam que os dois se encontrem durante a conferência conservadora CPAC, em Mar-a-Lago, que vai até o domingo.

ra (ots)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se