O novo programa de financiamento lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para renovação da frota de caminhões e ônibus pode beneficiar não apenas as vendas de veículos novos, mas também o mercado de seminovos. Isso porque a linha de crédito de até R$ 21 bilhões permite financiar caminhões fabricados a partir de 2012 e chega em um momento em que as vendas de usados já registram crescimento no País.
Mercado já está aquecido
Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram que 173.747 caminhões usados foram comercializados entre janeiro e maio deste ano, alta de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas em maio, foram negociadas 37.783 unidades, avanço de 6,2% sobre abril.
Segundo a entidade, a procura por usados tem sido impulsionada principalmente por transportadores que buscam ampliar ou renovar a frota com investimento menor do que o exigido para a compra de um veículo zero-quilômetro.
Diferença de preços favorece seminovos
A diferença de preço entre caminhões novos e usados ajuda a explicar o movimento. Hoje, modelos leves e semileves novos custam entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. Entre os médios e pesados, os preços variam de R$ 500 mil a R$ 900 mil, enquanto cavalos mecânicos (caminhões-tratores) extrapesados podem ultrapassar R$ 1,5 milhão.
A discussão sobre renovação da frota ocorre em um momento em que os caminhões brasileiros continuam envelhecendo. Segundo relatório da Sindipeças, a idade média da frota nacional chegou a 12 anos e 3 meses em 2025, acima dos 12 anos e 2 meses registrados no ano anterior.
Ao todo, o Brasil possui cerca de 2,28 milhões de caminhões em circulação. Para a entidade, o envelhecimento reflete as dificuldades de renovação enfrentadas pelo setor nos últimos anos.
Quem pode acessar o crédito?
Outro fator que deve influenciar a adesão ao programa é o custo do financiamento. O BNDES estima que as taxas fiquem próximas de 13% ao ano. Embora inferiores às praticadas em diversas linhas tradicionais de crédito, elas ainda representam um desafio para parte dos transportadores autônomos.
A nova linha permite financiar caminhões e cavalos mecânicos seminovos fabricados a partir de 2012, desde que atendam aos critérios ambientais e de rastreabilidade fiscal exigidos pelo programa.
A combinação entre uma frota envelhecida, preços elevados dos caminhões novos e crescimento das vendas de usados cria um cenário favorável para os seminovos. O principal gargalo para a renovação, no entanto, pode estar nas próprias condições do programa: uma taxa de 13% ao ano é um obstáculo real para caminhoneiros autônomos e pequenas transportadoras — justamente o perfil com maior necessidade de renovar a frota e menor capacidade de absorver o custo do crédito.