Etanol pode ganhar cor e até sabor para evitar adulterações; entenda

Propostas visam combater uso de combustível na produção clandestina de bebidas alcóolicas

15 set 2026 - 16h51
(atualizado às 17h03)
Resumo
Para combater o desvio de combustível para a fabricação clandestina de bebidas alcoólicas, a ANP estuda alterar a cor e adicionar um composto amargo ao etanol hidratado. A iniciativa atende a recomendações do TCU e do CNPE após registros de mortes por adulteração. Antes de chegar aos postos, a substância passará por testes técnicos para avaliar possíveis impactos nos motores e na emissão de poluentes, não havendo ainda previsão para a implementação da medida.

Etanol também exige cuidados: resíduos, corrosão e desgaste podem comprometer o sistema de alimentação do veículo. A manutenção preventiva ajuda a preservar os componentes e evitar problemas como dificuldade na partida, aumento do consumo e perda de desempenho
Etanol também exige cuidados: resíduos, corrosão e desgaste podem comprometer o sistema de alimentação do veículo. A manutenção preventiva ajuda a preservar os componentes e evitar problemas como dificuldade na partida, aumento do consumo e perda de desempenho
Foto: Divulgação / Estadão

O etanol hidratado comercializado nos postos de combustíveis do Brasil poderá ter mudanças importantes na cor e, pasme, até no sabor em breve.

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As novidades propostas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) visam combater o desvio na distribuição e sua utilização na produção de bebidas alcóolicas falsificadas.

Sabor etanol?

Já a segunda solução, que é apontada como definitiva, é a adição obrigatória de benzoato de denatônio ao etanol hidratado combustível. A substância tem sabor extremamente amargo e permitiria que o consumidor percebesse a adulteração caso o combustível fosse utilizado ilegalmente na produção de uma bebida alcoólica.

O benzoato de denatônio é encontrado em produtos de higiene e limpeza que contêm etanol, justamente para evitar a ingestão acidental ou diferenciar esses produtos de bebidas.

A ANP diz que, por ora, não há precedentes de sua aplicação em etanol destinado ao abastecimento de veículos. Isso exigiria uma nova fase de avaliações técnicas.

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A agência realizará testes mecânicos para verificar se a substância pode causar efeitos adversos em componentes do veículo ou alterações relevantes nas emissões de poluentes.

Justamente por isso é que não há previsão de quando o etanol "saborizado" possa chegar aos postos brasileiros.

Necessidade surgiu após recomendação do Tribunal de Contas da União

O estudo da ANP atende à Resolução nº 6 de 2026 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Ela nasceu após os casos de desvio de etanol combustível para a fabricação clandestina de bebidas, que, inclusive, causaram várias mortes em 2025.

A iniciativa também responde a uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), que realizou uma auditoria sobre a prevenção e repressão à adulteração de bebidas alcoólicas e os riscos à saúde da população.

As alternativas foram estabelecidas após a ANP reunir produtores de etanol, distribuidoras de combustíveis, empresas de inspeção da qualidade, fornecedores de corantes, representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e integrantes da Câmara Setorial da Cachaça.

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A agência também conduziu testes físico-químicos nas dependências de seu Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas.

Os resultados foram compilados em um relatório encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, que preside o CNPE, e ao TCU.

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