A maioria dos brasileiros avalia que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) influenciou a decisão do governo dos Estados Unidos de designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10.
Para 47%, Flávio Bolsonaro teve influência na decisão, enquanto 37%, avaliam que não. São 16% os que não souberam responder.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 26 de maio. Durante o encontro, o senador pediu ao presidente o enquadramento das organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. Dois dias depois, em 28 de maio, a medida foi oficializada pela gestão Trump.
Apesar de Trump ter anunciado a nova designação logo após o encontro com o senador brasileiro, o governo dos EUA já vinha estudando a questão há meses e a porta-voz do Departamento de Estado afirmou Ao Estadão/Broadcast que a medida resultou de um processo interno conduzido pelo governo Trump desde o início do mandato.
A maioria dos brasileiros concorda com a classificação das facções como terroristas. Para 60%, o governo do Brasil deveria classificá-las assim, enquanto 29% discordam e 11% não responderam. Quanto ao enquadramento dos grupos como terroristas pelo governo dos Estados Unidos, porém, há divisão no eleitorado, com 45% concordando com a medida, 45% contrários e 10% que não responderam.
Embora com divisão no eleitorado, o apoio à decisão dos EUA encontra algum respaldo em todos os segmentos ideológicos, de lulistas a eleitores independentes. Entre os apoiadores de Lula, 29% concordam com a decisão do governo Trump. Entre os independentes, 40% apoiam a decisão do governo americano. O apoio à medida é maior entre eleitores de direita e bolsonaristas.
A maioria dos brasileiros também avalia que a decisão dos Estados Unidos prejudicará empresas e bancos do País. São 53% os que esperam impactos negativos da medida, contra 34% que discordam e 13% que não responderam.