Na Globo, Zema defende anistia a Bolsonaro, diz ser contra obrigatoriedade de vacina, e sofre mais de 10 interrupções de Renata e Tralli

Candidato do Novo abriu a série de sabatinas promovidas após o Jornal Nacional com os presidenciáveis

24 ago 2026 - 21h18
(atualizado às 22h25)
Romeu Zema (Novo) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Romeu Zema (Novo) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Foto: Manoella Mello/ Globo

O candidato Romeu Zema (Novo) abriu a série de sabatinas promovidas pela TV Globo na noite desta segunda-feira, 24, com os presidenciáveis. Visivelmente nervoso, iniciou questionado sobre a dívida pública do estado de Minas Gerais enquanto esteve à frente do governo. Na sequência, defendeu a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, regime de trabalho por hora, aumento automático da idade mínima da Previdência e afirmou se inspirar na política de Nayib Bukele.

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A entrevista foi o primeiro momento de grande exposição do ex-governador de Minas Gerais nesta corrida eleitoral. No domingo, 23, ele declinou do convite para participar do debate presidencial, realizado pela Band, e a sua equipe alegou que foi para se preparar para o encontro com César Tralli e Renata Vasconcelos.

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A âncora do Jornal Nacional começou a sabatina questionando Zema sobre o enfrentamento da dívida pública brasileira. Renata destacou que, enquanto governador de Minas Gerais, dobrou a dívida do estado. "Por que o eleitor deve acreditar que o senhor, se eleito, vai conter o crescimento da dívida pública federal se não conseguiu diminuir o tamanho da dívida do governo de Minas?"

Zema iniciou sua entrevista com ataques ao Lula (PT), afirmando que as dívidas do estado aumentaram por causa do presidente. Na sequência, foi interrompido repetidas vezes ao não responder diretamente a pergunta. 

"A dívida de Minas foi toda feita no passado. Eu não fiz nenhum empréstimo durante o meu governo. Ela foi herdada dos anos 1990 e cresceu muito por causa dos juros de agiota cobrados pelo governo federal. Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam aposentadoria e R$ 13 bilhões para o governo federal, referentes a funcionários públicos. Hoje, a dívida representa menos para Minas Gerais do que representava quando assumi".

Defesa da anistia

Questionado sobre sobre posição em relação à anistia dos condenados pelos crimes do 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-governador afirmou: "Quem comete o crime é quem leva o crime adiante. Quem idealizou mas não levou, para mim, não cometeu crime".

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Neste momento, Renata interrompeu e indagou se Zema discorda que foram cometidos os sete crimes identificados pelo STF: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, organização criminosa armada, deterioração de patrimônio tombado.

O candidato destacou apenas que o crime de deterioração de patrimônio "foi adiante".

Vacinação no Brasil

Na entrevista, Zema também defendeu que a vacinação contra a Covid-19 não seja obrigatória. Embora tenha afirmado que tomou todas as doses e que "acredita na ciência", o ex-governador de Minas Gerais disse ser contrário a medidas que, segundo ele, possam "punir ou perseguir famílias" por não terem se vacinado. Para Zema, o governo deve priorizar campanhas de conscientização para ampliar a adesão à vacinação e evitar novos surtos.

"Agora, o que me preocupa é a segurança pública. O que esse governo está fazendo em relação aos bandidos, que estão matando muito mais do que qualquer doença?", questionou. Em seguida, defendeu que o Estado concentre seus esforços no combate ao crime.

Inspiração nas políticas de Nayib Bukele

Zema também citou o modelo de segurança pública adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como uma referência para suas propostas. A referência a Bukele, no entanto, é controversa por causa das denúncias de violações de direitos humanos associadas ao modelo de segurança adotado em El Salvador. Desde 2022, o país mantém um regime de exceção que ampliou os poderes do Estado para prender suspeitos de envolvimento com organizações criminosas. Organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional registram casos de prisões arbitrárias, tortura, mortes sob custódia e restrições ao direito de defesa.

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Ao ser interrompido e questionado sobre as exatas medidas implementadas no país, no entanto, o candidato afirmou que não pretende adotar prisões sem mandado, ampliar o período de detenção sem ordem judicial, restringir o habeas corpus ou o acesso de presos a advogados. Ele também rejeitou julgamentos coletivos e prisões baseadas em denúncias anônimas, local de residência ou tatuagens.

Segundo Zema, a inspiração está principalmente na estratégia de aumentar o que chamou de "custo do crime", recuperar territórios dominados por facções criminosas e ampliar o sistema penitenciário.

Confira as principais aspas

"Quero simplificar as leis trabalhistas e criar um regime de trabalho por hora, como existe em todo país sério e desenvolvido. Com isso, vamos formalizar o trabalho"

"Não vou mexer na idade mínima da Previdência, por ora. Nós vamos mexer à medida que a expectativa de vida aumentar e depois de verificarmos se conseguimos arrecadar mais com a formalização"

"Eu tomei todas as vacinas da Covid e acredito na ciência. Agora, eu não posso permitir que uma família seja perseguida porque alguém não tomou a vacina. O papel do governo é fazer campanhas de conscientização para vacinar o maior número de pessoas possível, porque, caso contrário, podemos ter um surto"

"Venho do setor privado. Sempre criei empregos, mais de 5 mil. Sou empreendedor, como a maioria dos brasileiros, e vou combater como ninguém os privilégios e a corrupção, como fiz quando fui governador de Minas Gerais"

Quando os outros candidatos serão entrevistados?

A cronologia das entrevistas segue a seguinte ordem:

  • 25/8 (terça-feira) - Ronaldo Caiado (PSD)
  • 26/8 (quarta-feira) - Renan Santos (Missão)
  • 27/8 (quinta-feira) - Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • 28/8 (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
  • 29/8 (sábado) - Augusto Cury (Avante)
Fonte: Portal Terra
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