O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, retirou a expressão “verdadeiro presidente eleito” da carta de teor golpista divulgada após sua chegada aos Estados Unidos por determinação do governo americano, que pediu a exclusão dos trechos em que ele se apresentava dessa forma. A informação foi divulgada pelo repórter Valdo Cruz, da GloboNews.
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De acordo com assessores do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o uso da expressão poderia sugerir que o governo americano havia recebido Flávio na condição de presidente eleito, o que poderia gerar dificuldades nas relações diplomáticas entre os dois países.
A GloboNews confirmou a informação com diplomatas que acompanharam os acontecimentos na quarta-feira, 28. Aliados do senador, por sua vez, afirmaram que a mudança foi apenas um ajuste na versão inicial do documento.
Na primeira versão da carta, divulgada pelo influenciador digital Paulo Figueiredo, Flávio se autoproclamava "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Cerca de 30 minutos depois, em uma nova versão publicada em seu perfil no X, ele substituiu a expressão por "o líder do Brasil".
Na carta, o senador alegou, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral. O argumento se baseia na prorrogação do horário de votação em duas horas, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin devido a problemas no deslocamento de eleitores ao longo do domingo. Flávio, no entanto, omitiu que, além da campanha do PT, o próprio PL, partido do senador, também solicitou a prorrogação do horário de votação.
Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que o número de eleitores que votaram após as 17h não ultrapassou 35 mil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa por uma margem de 4,4 milhões de votos.
Após a declaração de Flávio, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, divulgou uma nota afirmando que as eleições do último domingo ocorreram "dentro da mais absoluta normalidade" e foram "as mais inclusivas da história da República brasileira". O ministro também declarou que "todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos".