Após visitar Jair Bolsonaro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o ex-presidente não tinha conhecimento do plano de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e candidato derrotado nas eleições presidenciais, para fugir do Brasil. “Nem o Bolsonaro sabia [da ida dele para os Estados Unidos]. Ninguém sabia”.
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Valdemar visitou Bolsonaro na manhã desta quinta-feira, 29, após pedido da defesa do ex-presidente e autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele chegou às 9h e deixou o local às 11h, após duas horas de encontro. Na saída, Valdemar disse que Bolsonaro está bem de saúde, mas não está feliz com a situação em que se encontra nem com a situação dos filhos.
Questionado sobre a primeira versão da carta de Flávio se autoproclamado “presidente eleito do Brasil”, Valdemar disse que não tratou do assunto com Bolsonaro. Ele reforçou, no entanto, que ninguém do PL aprovou a iniciativa.
O presidente do PL acrescentou ainda que não chegou a discutir com Bolsonaro as movimentações de bastidores do Congresso em torno de uma possível anistia. Segundo ele, o tema não foi abordado durante o encontro.
Uma ala do PL e parlamentares aliados ao governo Lula buscam o fim do acirramento e defendem, nos bastidores, uma iniciativa de pacificação nacional. A proposta envolveria a discussão de uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para os condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Carta de Flávio desagradou
Questionado sobre a carta de Flávio Bolsonaro se declarando presidente eleito do Brasil, o dirigente partidário foi breve ao demonstrar sua insatisfação. "Não gostei", afirmou antes da visita a Jair.
O posicionamento de Valdemar ocorre após Flávio Bolsonaro publicar, na quarta-feira, 28, uma carta controversa em que se declarou inicialmente o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e contestou o resultado das eleições. O senador divulgou o documento após deixar o País rumo aos Estados Unidos. O conteúdo levantou questionamentos pelo tom golpista da declaração.
Cerca de 30 minutos após se autodeclarar presidente do Brasil, Flávio voltou atrás e alterou o comunicado enviado à imprensa. Em vez das expressões "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito", o senador passou a usar os termos "líder do Brasil" e "líder".
Visita ocorre em meio à tensão política
A visita a Jair Bolsonaro ocorreu em meio a um cenário de tensão política no entorno do ex-presidente. O pedido da defesa foi apresentado na quarta-feira, 28, após Flávio Bolsonaro deixar o país sem entregar os passaportes, conforme determinação atribuída ao ministro Alexandre de Moraes.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento em uma trama golpista para tentar impedir a posse em 2022 do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reunião entre Valdemar e Bolsonaro é vista como uma oportunidade para o dirigente atualizar o ex-presidente sobre os acontecimentos recentes e discutir os rumos do partido. Valdemar afirmou que pretende levar novidades e relatar a situação política, mas não detalhou quais assuntos seriam tratados.