Economia do Brasil deve desacelerar em 2026 em meio a riscos externos e eleições, preveem economistas

3 mar 2026 - 13h27

A economia brasileira deve desacelerar em 2026, com o cenário marcado ‌por incertezas geopolíticas crescentes e uma eleição presidencial polarizada, depois de ter crescido no ano passado no ritmo mais fraco em cinco anos.

Vista de Brasília
01/08/2025. REUTERS/Adriano Machado
Vista de Brasília 01/08/2025. REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

A expectativa de analistas é que a atividade mostre de novo um ritmo mais forte no primeiro semestre, impulsionada pela agropecuária e medidas de incentivo do governo, e esmoreça na segunda metade do ano -- assim como aconteceu em 2025, quando a economia cresceu 2,3%, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE.

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A avaliação é que, embora o Brasil ainda possa ⁠se favorecer de certo modo das incertezas geopolíticas geradas pela escalada recente do conflito no Oriente Médio, consumidores, governo e o ‌próprio Banco Central devem se tornar mais cautelosos.

"Incerteza não falta neste ano e o cenário externo alimenta mais essa incerteza. Ninguém tem um 'best guess' do que vai acontecer nos próximos meses, e essa falta de previsibilidade reforça o cenário de ‌cautela", disse Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, que prevê um crescimento do ‌PIB em 2026 de 1,9%.

O foco agora está sobre os impactos dos ataques dos Estados Unidos e Israel ⁠ao Irã, que vêm causando preocupações com uma interrupção do fluxo de petróleo e do gás e com o impacto na inflação.

Por um lado, esse cenário pode favorecer o Brasil, principalmente a balança comercial, que tem forte peso das exportações de produtos agrícolas e petróleo.

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"Num cenário de guerra, o Brasil é que alimenta o mundo e, agora com câmbio mais depreciado, a gente fica cada vez mais atrativo", disse Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, destacando a possibilidade de aumento no volume exportado ‌do petróleo. "E outra questão é o (aumento do) preço, a gente volta a ser beneficiado."

O outro lado da moeda é a possibilidade de ‌impacto na inflação doméstica do aumento ⁠dos preços do petróleo, o que, ⁠nas contas de Benedito, se daria no caso de o barril do combustível superar US$95. Para tanto, segundo a economista, seria necessário ⁠uma "interrupção de mais de quatro semanas no Estreito de Ormuz e baixar ‌muito o estoque disponível".

Nesta terça-feira, os preços ‌do petróleo tipo Brent subiam cerca de 7%, a US$83,44 o barril, depois de terem tocado o maior valor desde julho de 2024 de US$85,12.

"Hoje ainda não acreditamos numa explosão, pode até romper os US$95 em algum momento, mas não ficar lá", disse Benedito.  

ELEIÇÃO

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A expectativa de economistas e investidores é de que o Banco Central comece a ⁠reduzir os juros na reunião dos próximos dias 17 e 18 de março, depois de ter mantido a Selic em 15% em janeiro. Embora o conflito no Oriente Médio de forma geral não tenha mudado essa visão, a avaliação é que ele impõe cautela e pode afetar o ritmo e a magnitude do afrouxamento.

Andrés Abadía, economista-chefe de América Latina da Pantheon Macroeconomics, destaca que uma escalada adicional do conflito no Oriente ‌Médio ofuscaria as perspectivas, adicionando pressão inflacionária de curto prazo justamente no início do ciclo de afrouxamento. 

"Embora preços mais altos do petróleo beneficiem a Petrobras e as receitas fiscais, o efeito líquido provavelmente levaria a uma postura de maior cautela ⁠e a cortes de juros mais lentos", avaliou em nota Abadía, que estima expansão do PIB este ano de 1,8%.

Depois de um início de ano com expectativa de crescimento forte do agro e estímulos do governo que tendem a impulsionar o consumo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil mensais, a economia deve enfraquecer no segundo semestre, que terá como ponto focal a eleição presidencial.

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"Como é ano eleitoral, os estímulos do governo devem ficar concentrados no primeiro semestre. E no segundo semestre tem desaceleração, ...porque no último trimestre tem efeito espera dos agentes econômicos, esperando para ver o cenário eleitoral", disse Rafael Perez, economista da Suno Research, que calcula um avanço do PIB este ano de 1,8%.

Pesquisas de intenção de voto recentes mostram um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno.

"O ciclo de cortes dos juros pelo BC deve fazer mais efeito na economia no segundo semestre, mas me parece que seria mais impedir uma queda maior do que impulsionar a economia", disse ele.

O Ministério da Fazenda estimou nesta terça-feira que o PIB crescerá novamente 2,3% este ano. 

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