BCE mantém juros após debater possível aumento

30 abr 2026 - 09h29
(atualizado às 10h55)

O Banco ‌Central Europeu deixou as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira conforme esperado, mas sinalizou suas preocupações crescentes com o aumento da inflação e deixando os mercados na expectativa de que as taxas sejam elevadas várias vezes este ano, com um provável movimento inicial em junho.

A inflação anual saltou para 3% este mês, bem ⁠acima da meta de 2% do banco, e espera-se um aumento ainda maior, ‌já que a guerra do Irã levou os preços do petróleo à máxima em quatro anos.

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A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a decisão final ‌de manter os juros foi unânime, mas disse ‌em uma coletiva de imprensa que um possível aumento foi discutido "longamente" ⁠pelas autoridades

"Tomamos uma decisão fundamentada com base em informações ainda insuficientes", disse ela, acrescentando que a próxima reunião em junho será o "momento certo" para uma nova avaliação.

"Há tanta incerteza que precisamos entender e rever isso em nossa próxima reunião de política monetária", disse ela. "Certamente estamos nos afastando de nosso cenário básico", disse ela ‌sobre um cenário construído em torno de um fim cedo da guerra e um ‌choque energético limitado.

Mais cedo, ⁠o BCE afirmou em ⁠comunicado que os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para ⁠o crescimento se intensificaram.

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"Quanto mais a ‌guerra continuar e quanto mais ‌os preços da energia permanecerem altos, mais forte será o provável impacto sobre a inflação mais ampla e a economia", disse o banco.

Os mercados monetários precificavam cerca de 72 pontos-base de aumentos nos juros pelo BCE até ⁠o final do ano, abaixo dos 76 pontos registrados mais cedo na sessão.

O BCE disse que as expectativas de inflação de longo prazo permanecem bem ancoradas, embora as expectativas de inflação em horizontes mais curtos tenham subido significativamente.

Ainda assim, é provável que qualquer ciclo de ‌aumento dos juros seja muito mais benigno do que em 2022, quando o BCE teve de elevar sua taxa básica em 450 pontos-base combinados em um ⁠período de um ano para deter o aumento descontrolado dos preços.

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Atualmente, as pressões sobre os preços estão bem mais fracas, os efeitos de segunda ordem da inflação ainda não são visíveis, o mercado de trabalho está mais fraco, as taxas já estão mais altas e o crescimento econômico está próximo de estagnar.

De fato, a economia da zona do euro quase não cresceu no primeiro trimestre, mesmo antes de a guerra ter tido qualquer impacto significativo.

Enquanto isso, o núcleo da inflação, um componente fundamental examinado para avaliar a durabilidade do aumento dos preços, na verdade desacelerou de 2,3% para 2,2% em abril, o que sugere que os efeitos de segunda ordem não estão se consolidando de forma significativa.

Isso significa que o BCE deve agir com cuidado.

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