Diretor da Quaest vê polarização entre Lula e Flávio, mas diz que eleição segue aberta

Felipe Nunes destaca redução da distância entre os dois, concentração do voto anti-Lula no senador e espaço para crescimento de candidatos

14 ago 2026 - 20h48
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança com 38% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem empatados com 4%
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança com 38% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem empatados com 4%
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil, Jefferson Rudy/Agência Senado, Rodilei Morais/Fotoarena/Estadão Conteúdo e Gustavo Serebrenick/Agência do Dia/Estadão Conteúdo

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta sexta-feira, 14, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida presidencial de 2026, mas com uma vantagem menor sobre Flávio Bolsonaro (PL). Na avaliação de Felipe Nunes, diretor da Quaest, os números indicam uma disputa ainda polarizada e sem resultado definido.

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No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, contra 31% de Flávio. Os demais candidatos não ultrapassam 4%. Para Nunes, o dado mais importante é a concentração do voto de oposição no nome do PL.

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"A direita tem várias opções, mas só Flávio se destaca nesse começo de campanha. O voto anti Lula está concentrado no candidato do PL", analisou.

Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem empatados com 4%, enquanto Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) têm 2% cada. Samara Martins (UP) registra 1%.

Segundo turno

A diferença também diminuiu em uma eventual disputa direta entre Lula e Flávio. O presidente aparece com 43%, enquanto o senador tem 40%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Segundo Nunes, é a primeira vez desde junho que os dois aparecem tecnicamente empatados.

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No primeiro turno, a soma das intenções de voto dos candidatos que não são Lula chega a 44%, enquanto o presidente tem 38%, cenário que aponta para a realização de um segundo turno.

Nordeste mantém Lula na frente

O desempenho de Lula continua sendo impulsionado pelo Nordeste. O presidente alcança 57% das intenções de voto na região, enquanto Flávio lidera no Sul, com 40%. No Sudeste, os dois aparecem empatados.

Os recortes sociais também mostram uma divisão clara. Lula leva vantagem entre eleitores que recebem até dois salários mínimos, pessoas pretas, quem tem até o ensino fundamental e católicos. Flávio, por outro lado, aparece à frente entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, pessoas com ensino superior e evangélicos.

No recorte religioso, a diferença chama atenção: Lula tem 47% entre os católicos, enquanto Flávio chega a 43% entre os evangélicos. Segundo Nunes, esse padrão vem se repetindo desde 2018.

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Caiado cresce no Sul

Outro movimento destacado por Nunes é o desempenho de Ronaldo Caiado (União Brasil). Em um eventual segundo turno contra Lula, o governador de Goiás aparece com 37%, enquanto o presidente marca 44%.

O resultado que mais chamou a atenção está no recorte regional. Caiado avançou entre os eleitores do Sul: passou de 36% em maio para 50% agora. Ao mesmo tempo, Lula melhorou seu desempenho na combinação das regiões Norte e Centro-Oeste.

Já Romeu Zema (Novo) perdeu espaço em relação ao início do ano. No cenário contra Lula, o presidente aparece com 45%, ante 34% do ex-governador de Minas Gerais. Segundo Nunes, a distância já foi menor após o Carnaval, período em que Zema ganhou visibilidade com embates envolvendo o ministro Gilmar Mendes.

Voto jovem

Entre os eleitores mais jovens, a vantagem de Lula diminui. No grupo de 16 a 34 anos, o presidente aparece com 34%, contra 31% de Flávio. O destaque, porém, é Renan Santos, que chega a 10% nesse público.

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A força do candidato também aparece nos cenários de segundo turno. Segundo Nunes, Renan vem reduzindo a distância para Lula e, atualmente, marca 36%, contra 44% do presidente.

O crescimento é mais expressivo justamente entre os jovens. Entre maio e agosto, Renan passou de 32% para 41% nesse grupo, segundo a análise do diretor da Quaest.

Eleitorado pouco conhece alternativas

Apesar da vantagem de Lula e da consolidação de Flávio como principal nome da oposição, a pesquisa mostra que os demais candidatos ainda são pouco conhecidos pelo eleitorado.

Segundo Nunes, 43% dizem não conhecer Caiado, percentual que chega a 47% no caso de Zema e a 65% entre os entrevistados sobre Renan Santos.

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Esse desconhecimento também aparece na chamada firmeza do voto. Lula tem 77% de seus eleitores dizendo que não mudariam de escolha, enquanto Flávio registra 70%. Entre Caiado e Renan, os índices são de 55% e 57%, respectivamente. Zema tem apenas 23%. Na avaliação de Nunes, isso significa que existe mais espaço para migração de votos e voto útil entre os candidatos que ainda não consolidaram suas bases.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06773/2026.

Fonte: Portal Terra
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