Ao fim do primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), foi cobrar Fernando Haddad (PT) sobre a declaração a respeito do contrato de wi-fi da gestão municipal com a ONG Instituto Conhecer Brasil. O contrato é alvo de investigação da Polícia Civil por suspeita de fraude.
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Nunes -- aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversário do petista -- disse a Haddad que não seria correto relacionar "a questão do contrato" com ele. "Eu falei: ‘Não está correto você fazer isso. Você sabe que não tem nada de errado da minha parte. Você me conhece’.Eu falei: ‘Não está correto você fazer isso. Você sabe que não tem nada de errado da minha parte. Você me conhece’." O prefeito ainda chamou o candidato de "mentiroso" e "irresponsável".
A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante o debate, após Tarcísio chamar o aliado de "o melhor prefeito de São Paulo", Haddad falou que a gestão Nunes teria "contrato de wi-fi para ser desviado o dinheiro para o PCC [a facção criminosa Primeiro Comando da Capital] e para fazer o filme do Bolsonaro".
Segundo informações do Estadão, o contrato da prefeitura com a ONG previa a instalação de pontos de wi-fi gratuito em São Paulo e é investigado por suspeita de fraude e desvio de recursos. A gestão Nunes afirma que o contrato original, de R$ 108 milhões, previa 5 mil pontos de internet, mas que a prefeitura optou por instalar 3,2 mil por falta de recursos e pagou apenas pelos pontos entregues. Segundo a investigação, o valor chegou a R$ 157,1 milhões com aditivos, e a Polícia Civil apura se parte do dinheiro foi desviada para financiar o filme “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Após o debate, Haddad disse que não cabe a ele afirmar se houve irregularidade no contrato ligado à produtora de “Dark Horse”. “Não sou eu que digo que tem ou não tem. Está sendo investigado. Cheira mal. Mas nem tudo que cheira mal pode ser que seja explicado. Mas que é esquisito, é”.