Como coalizão do governo Lula no Planalto pode salvar aliados como Haddad, Tebet, Paes e Marina após as eleições

Apesar da vitória do petista representar um alívio para nomes próximos ao presidente, a forte oposição no Congresso pode mudar o cenário

2 nov 2026 - 05h00
Presidente Lula faz pronunciamento após resultado das eleições presidenciais
Presidente Lula faz pronunciamento após resultado das eleições presidenciais
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Apesar da vitória de Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela presidência, a ala progressista do governo saiu enfraquecida nas cadeiras do Congresso Nacional e outros atores políticos próximos ao presidente eleito perderam disputas importantes no poder executivo, como Fernando Haddad, em São Paulo, e Eduardo Paes, no Rio de Janeiro. O cenário desenhado para 2027 aumenta as expectativas para o impacto que a coalizão formada pelo petista no Planalto trará para alguns dos seus principais aliados. 

Um dos principais desafios de Lula para o começo do seu quarto e último mandato como presidente é definir quais nomes serão premiados com pastas ministeriais, secretarias ou presidindo agências reguladoras federais. A gangorra precisará equilibrar o apoio a aliados com os cargos estratégicos a nomes do centro visando mais força no Legislativo.

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Para além de Haddad e Paes, outros nomes que disputam vagas de prestígio são Simone Tebet e Marina Silva, ambas derrotadas na disputa pelo Senado em São Paulo, além de Gleisi Hoffmann, que perdeu a vaga como senadora no Paraná.

Segundo Bhreno Vieira, cientista político e atualmente doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o caso das duas candidatas derrotadas em São Paulo é mais "simples". Tebet e Marina Silva são consideradas peças importantes para o governo de Lula e podem até repetir as cadeiras nos Ministérios. Marina, por exemplo, é reconhecida pela ampla experiência em pautas ambientais e carrega um nome forte para o exterior, o que pode credenciá-la para seguir no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. 

Tebet, que ocupou cargo no Ministério do Planejamento e Orçamento, é um nome com aproximação com o centrão e foi um nome decisivo nos bastidores para alinhamento com a ala empresarial, segundo a análise de Bhreno Vieira. Uma realocação de pasta pode ser discutida, assim como notícias recentes a apontam como uma das cotadas para atuar como chanceler do Brasil.

Se Tebet e Marina parecem ter um futuro mais previsível, o governador derrotado no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), pode enfrentar mais dificuldades. Bhreno Vieira explica que o perfil do ex-governante carioca tem menos força para um cargo ministerial e que caberia a Lula tentar encontrar um espaço em sua coalizão para dar visibilidade ao político.

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"Marina e Tebet, além de políticas, são muito técnicas e são muito bem preparadas nesse contexto. Não que Eduardo Paes não seja preparado nessa figuração, mas ele tem um carisma, muitas vezes apontado como possível presidenciável, e por isso teria que ter uma estrutura para Lula indicar ele para um cargo que tivesse esse grau de visibilidade", analisou Vieira.

Para Gleisi Hoffmann, que abdicou do cargo como ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais para concorrer ao Senado, é um nome muito próximo a Lula e também pode ser reconduzida a um ministério ou secretaria para o novo mandato. Já Fernando Haddad, por enquanto, segue com uma incógnita. Ocupou o Ministério da Fazenda no último mandato e foi mais um que "foi para o sacrifício" e perdeu no primeiro turno em São Paulo.

Bhreno Vieira ainda destaca que existem outras peças que observam a composição do time de Lula de olho em vagas. Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso Nacional neste mandato, perdeu a reeleição e não estará no Senado em 2027.

João Campos (PSB), que buscou o governo de Pernambuco, perdeu no primeiro turno, mas seguiu como uma figura próxima de Lula e esteve presente nas celebrações do petista no último domingo, 25, mostrando que pode se aproximar ainda mais. "Ele teve uma importância [na campanha de Lula], é presidente nacional do PSB, que é o partido da vice-presidência de Geraldo Alckmin, e posteriormente já poderia ser ventilado em algum ministério. Para ele, talvez o Ministério de Ciência e Tecnologia, ou o Ministério da Comunicação, alguma coisa nesse contexto", aposta o cientista político.

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Ainda há a necessidade de observar outros atores políticos ligados ao presidente, como o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o senador Camilo Santana (PT) e André Janones (Rede). Entretanto, o trio saiu muito fortalecido da campanha e podem seguir ocupando suas funções em Brasília.

Eduardo Paes e Lula em carreata em São Gonçalo no primeiro turno das eleições
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Os desafios de Lula para montar a coalizão

O cientista político destaca que é preciso acompanhar com atenção os passos de Lula na reta final deste ano. Isso porque a formação da coalizão para o quarto mandato precisará ter o equilíbrio entre os aliados políticos e novos nomes mais ligados ao centro e que não estavam com o presidente ao longo da campanha deste ano.

Vieira destaca que a concorrência se torna mais ampla, já que Lula precisará olhar para diferentes direções se quiser se manter forte no Congresso, e isso pode causar atrito com personagens que o apoiaram desde o começo da sua empreitada para conseguir o quarto mandato.

"As pessoas trabalharam na campanha dele, se empenharam, se engajaram... então há uma expectativa de algum retorno. Principalmente dessas figuras que são do campo mais político, no sentido de que eles precisam ter uma visibilidade constante para que tenham sobrevivência do seu capital político. Não vai ter espaço para todo mundo, então realmente é um cenário que é bastante complexo e eu acho que isso piora mais do que melhora para Lula", explicou Bhreno Vieira. 

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Um outro viés que será importante para Lula é conseguir a aprovação de algumas pautas suas no Congresso ao longo do seu mandato, com o objetivo de mostrar ao eleitorado que tem conseguido colocar em prática o que foi planejado. Para isso, ter força no Legislativo é fundamental.

Fonte: Portal Terra
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