Marco Rubio nega que EUA ajudaram Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil

Secretário de Estado afirmou que havia ordem de Trump para que Flávio recebesse permissão para permanecer em solo americano caso chegasse ao país, mas que governo não ajudou a organizar fuga; segundo jornais americanos, jato particular foi providenciado por assessor de comunicação da Casa Branca

31 out 2026 - 15h05
(atualizado às 17h48)
Resumo
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou a participação direta do governo americano na fuga de Flávio Bolsonaro para Miami, embora tenha admitido uma ordem de Donald Trump para conceder-lhe entrada especial no país. Investigado no Brasil pelo STF por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio viajou em jato particular após determinação para entregar seus passaportes. Ele ingressou nos EUA sob o regime humanitário de "parole", supostamente usando um passaporte cancelado.
Marco Rubio diz que EUA não atuaram ‘diretamente’ em fuga de Flávio Bolsonaro
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O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou neste sábado, 31, que o governo Trump esteve diretamente envolvido na fuga de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, para Miami. Ele afirmou que havia uma ordem de Donald Trump para que Flávio recebesse uma permissão especial para permanecer em solo americano caso chegasse ao país, mas que a organização da fuga não foi feita a nível estatal.

"Nós não facilitamos nada. Ficamos sabendo que ele tinha chegado aos EUA, ele já tinha um visto anteriormente e o presidente decidiu permitir que ele entrasse no país, o que nós permitimos", afirmou Marco Rubio durante coletiva de imprensa após reunião dos ministros das Relações Exteriores do G-20 em Atlanta.

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"Nós não estávamos envolvidos em nenhum arranjo feito para que ele deixasse o Brasil. Pelo menos o governo dos EUA não esteve diretamente envolvido em nenhum dos movimentos que foram feitos. Mas o presidente deixou claro que, se ele chegasse a uma alfândega nos EUA, ele receberia uma permissão para entrar no país, e ele recebeu", disse.

Flávio deixou o Brasil após perder a eleição para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 51,79% dos votos válidos contra 48,21%. Na noite de terça-feira, 27, Flávio voou da Argentina para o Equador, onde o avião fez uma parada para reabastecimento, antes de seguir para Miami.

Agentes de imigração dos Estados Unidos permitiram que ele e sua família entrassem no país sob o regime conhecido como "parole", uma autorização temporária geralmente concedida por razões humanitárias, depois que desembarcaram em Miami em um jato particular na manhã de quarta-feira, segundo uma autoridade americana ouvida naquele dia.

Flávio Bolsonaro desembarcou em aeroporto em Miami, na Flórida (EUA), após fugir do Brasil
Flávio Bolsonaro desembarcou em aeroporto em Miami, na Flórida (EUA), após fugir do Brasil
Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters

Segundo os jornais americanos Wall Street Journal e The New York Times, o jato foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca. Na tarde de quarta-feira, 28, Trump afirmou que Flávio havia recebido um "passe" para entrar no país.

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A Casa Branca e o Departamento de Estado encaminharam ao Departamento de Segurança Interna os questionamentos sobre a autorização de entrada de Flávio e o envolvimento de Trump. O órgão afirmou que o senador e sua família "foram recebidos e inspecionados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, de acordo com as leis e procedimentos de imigração aplicáveis".

Um registro público do governo americano sugere que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro cancelado ao chegar aos Estados Unidos, segundo análise do The New York Times. O documento menciona um número emitido no Brasil que, de acordo com informações públicas, está vinculado ao passaporte diplomático do senador.

O Departamento de Estado informou, por meio de um representante, na terça-feira, que pretendia emitir vistos para Flávio e sua família, permitindo a entrada deles no país. A Casa Branca deu a mesma informação naquele dia, citando uma autoridade do governo.

Relembre como foi a fuga de Flávio Bolsonaro

Flávio foi para os Estados Unidos após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir que ele deveria entregar seus passaportes às autoridades, no último domingo, 25. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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No pedido feito pela Polícia Federal ao ministro, foi citado o "risco concreto de Evasão". A PF também justificou a medida pelo "precedente concreto" de Willer Tomaz, advogado e amigo do senador, que está nos Estados Unidos enquanto é investigado. A determinação foi no âmbito do inquérito no qual Flávio é investigado, junto a Willer, por lavagem de dinheiro.

A aeronave que levou o candidato derrotado, as filhas e a esposa, saiu da Argentina, no aeroporto de Puerto Iguazú, fez escala no Equador e chegou nos Estados Unidos na última terça-feira.

Na quarta-feira, 28, Flávio compartilhou uma carta na qual se autodeclarava 'presidente eleito' do Brasil, e agradecia Trump e Javier Milei, presidente da Argentina. Depois, apagou a postagem e divulgou uma segunda versão, trocando o termo para "líder do País".

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