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Aprovado em Medicina na USP, Unicamp e UFMG, jovem tira nota máxima na redação da Fuvest; veja texto

Marcelo Rigo dos Santos também obteve nota máxima na redação da Unicamp e tirou 980 no texto do Enem

19 fev 2024 - 05h00
Resumo
Marcelo Rigo dos Santos, de 22 anos, passou em 1º lugar em Medicina na Unicamp, além de ser aprovado no mesmo curso na USP e na UFMG. O jovem tirou nota máxima na redação da Unicamp e da Fuvest.
Marcelo Rigo dos Santos
Marcelo Rigo dos Santos
Foto: Arquivo Pessoal

Aos 22 anos, o capixaba Marcelo Rigo dos Santos comemora a conquista de um sonho: ser aprovado em Medicina em uma universidade pública. Neste ano, ele passou em 1º lugar no curso na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de conquistar uma vaga na Universidade de São Paulo (USP), tanto na capital paulista quanto em Bauru (SP), e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Marcelo, que é aluno do Curso Anglo, ainda conseguiu outro feito que é o objetivo de muitos estudantes. O jovem tirou a nota máxima na redação da Unicamp e na da Fuvest (veja o texto abaixo), responsável pelo exame da USP, e obteve 980 no texto do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023. 

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"Estou muito feliz mesmo com o resultado. Quando olho para o trajeto percorrido, vejo alguns elementos que fizeram parte da aprovação. Entre eles, acreditar que poderia chegar lá e me dedicar bastante e também a constância nos estudos", conta em entrevista ao Terra. Marcelo revela também que já fez sua escolha e será calouro na USP, em São Paulo (SP).

A rotina de estudos

Para realizar esse sonho, Marcelo estudou por três anos. No entanto, ele afirma que foi somente no ano passado que focou totalmente na preparação para os vestibulares. Com o auxílio do cursinho on-line, o jovem estudava entre 7h e 8h por dia durante seis dias da semana. Um dia, geralmente sábado ou domingo, era destinado ao descanso. 

Além de assistir às aulas, as suas prioridades eram resolver muitos exercícios sobre os temas que estudou e fazer simulados. "À medida que o ano foi passando, eu fui fazendo mais simulados. Às vezes, eu separava um dia só para isso", lembra.

Marcelo afirma que os simulados o ajudaram a entender quais matérias ele precisava estudar mais e a ver o progresso nos estudos, assim como contribuíram para ele encontrar a melhor estratégia para cada prova.

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Redações nota máxima 

Segundo o estudante, o segredo para ter alcançado ótimos resultados nas redações foi praticar muito. "Recomendo que os estudantes façam muitos textos desde o começo da preparação", orienta.

Para as redações da Unicamp e da Fuvest, o conselho de Marcelo é "dar mais espaço para a liberdade criativa". "Usar mais figuras de linguagem, por exemplo, mas não excessivamente. Essas duas redações permitem que você saia um pouco fora da caixinha", explica.

Especificamente para a redação da Fuvest, o jovem sugere ainda buscar repertórios que não sejam muito utilizados e analisar com cuidado os textos motivadores da coletânea. "Você vai conseguir encontrar os elementos necessários para fazer sua redação ali."

No vestibular 2024, o tema da redação da Fuvest foi "Educação básica e formação profissional: entre a multitarefa e a reflexão". Os candidatos tiveram à disposição materiais de apoio como imagens que reproduziam obras de arte e postagem de redes sociais. Confira a seguir o texto de Marcelo, que obteve nota máxima na prova:

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O pote de burnout no fim do arco-íris

Na Grécia Antiga, o pressuposto para praticar a Filosofia era estar no tempo livre. A reflexão filosófica, pensavam os gregos, dependia da ociosidade, pois uma mente ocupada com outras questões não realizaria bem a atividade racional.Contudo, a sociedade contemporânea, influenciada pela ideologia neoliberal, em nome da produtividade suprime o ócio e condiciona os indivíduos a, sempre que possível, resolver mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Como que em uma maratona interminável, eles percorrem um caminho cujo fim é a exaustão física e psicológica.

Nesse cenário, a educação é essencial para formar profissionais que saibam equilibrar o ofício com a qualidade de vida. Em primeiro lugar, o neoliberalismo, ao enfatizar a meritocracia, coloca o indivíduo como o único responsável pelo seu sucesso – ou fracasso – econômico. "Coaches", por exemplo, com seus livros e suas palestras motivacionais, são contratados por empresas para aprimorar o rendimento dos funcionários. A figura do mentor – antes associada a um guia para a vida – se tornou crucial para quem quer progredir na carreira. O trabalho, nessa conjuntura, é a tônica da existência. Desse modo, o ócio não é experimentado com prazer, mas culpa – afinal, a diversão não ajuda a conquistar o cargo almejado. Ademais, a multitarefa, aparentemente, permite maior produtividade. Todavia, viver em um estado de atenção difusa intensifica o esgotamento o qual todos estão sujeitos na coletividade.

Em vez de transformar o homem em uma máquina mais eficiente, a tentativa de realizar vários compromissos ao mesmo tempo, além de diminuir a qualidade dos resultados, acelera a velocidade com que ele alcança o pote de burnout no fim do arco-íris. Logo, é imprescindível a mudança desses valores que impossibilitam o ócio saudável.

A educação, por sua vez, é o meio pelo qual a sociedade poderá superar esse desafio. Conforme afirmou Paulo Freire, não basta, durante o letramento, ensinar ao aluno que "Eva viu a uva", mas apresentar o saber de forma que o aluno saiba refletir para contextualizar a frase aprendida na sua vivência. Essa posição pedagógica é relevante para o problema abordado, porque objetiva aliar o ensino técnico à formação de cidadãos com autonomia crítica — nesse caso, trabalhadores que consigam aproveitar o ócio.

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Assim, uma escola que não opere em ritmo frenético, colocando os alunos para fazer mais e mais exercícios, por exemplo, contribui com o desenvolvimento de uma relação sadia com o tempo livre, ao não pressionar os discentes a produzir constantemente. A adoção, no ambiente educacional, de atividades voltadas para a introspecção, o convívio e as brincadeiras coletivas fortalecem o senso de que há, na vida, momentos nos quais o lazer é um imperativo para o bem-estar. Portanto, o sistema educacional pode ser o remédio para essa doença que só traz cansaço.

Em suma, a necessidade de melhorar a produtividade e o uso da atenção dispersa em mais de uma tarefa extenuam o indivíduo da contemporaneidade. Diante disso, uma educação que priorize o desenvolvimento intelectual somado com uma contemplação saudável do ócio é o que pode resgatar o envolvimento adequado do homem com o lazer.

Fonte: Redação Terra
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