O Brasil alcançou 66% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). O resultado supera a meta estipulada para o ano, de 64%, e indica avanço notável em relação a 2024, quando o país registrou 59,2% e não atingiu o objetivo de 60%.
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O indicador considera estudantes do 2º ano do ensino fundamental capazes de ler e escrever textos simples. A meta do governo é atingir 100% de alfabetização nessa etapa escolar até o fim da década.
Para Daniela Caldeirinha, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, a alfabetização até o 2º ano é determinante para toda a trajetória educacional. "Essa etapa de alfabetização é superimportante para o desenvolvimento de todas as crianças, porque é uma condição necessária para garantir todo o aprendizado da vida. Quando a gente está nessa etapa, a gente aprende a ler, a escrever, a compreender os textos, e, no futuro, a gente lê para aprender", explica Daniela ao Terra.
Ela também destaca que esse é o período mais adequado para o desenvolvimento dessas habilidades. "Ter esse marco é importante porque orienta a prática pedagógica. A criança, para aprender a ler e escrever, começa esse processo muito cedo, ainda quando aprende coisas simples como segurar um livro e folheá-lo".
Os números fazem parte de um cronograma de crescimento definido pelo programa federal:
- 2023: 55% (atingiu 56%)
- 2024: 60% (atingiu 59,2%)
- 2025: 64% (atingiu 66%)
- 2026: 67%
- 2027: 71%
- 2028: 74%
- 2029: 77%
- 2030: acima de 80%.
O programa inclui ações como formação de professores, melhoria da infraestrutura escolar e cooperação entre União, estados e municípios, que também estabelecem metas próprias de acordo com a realidade regional.
Na avaliação de Felipe Proto, vice-presidente da Fundação Lemann, os dados representam um avanço importante na educação brasileira. "O Brasil alcança um novo patamar na alfabetização de crianças. Um feito histórico que posiciona o tema no centro do desenvolvimento do país. Os avanços consistentes mostram que uma estratégia bem estruturada, com cooperação entre União, estados e municípios, como propõe o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, é capaz de transformar a realidade educacional."
Apesar do avanço, especialistas alertam para desafios. Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas da Todos Pela Educação, afirma que ainda há uma parcela significativa de crianças sem alfabetização adequada. "A alfabetização adequada é a base para a sequência de toda a trajetória escolar. As crianças que no 2o ano do ensino fundamental ainda não sabem ler e escrever - e ainda são 34% no país - não conseguirão desenvolver os conhecimentos esperados nas séries seguintes. Elas não podem ser esquecidas. É preciso um esforço intencional para alfabetizá-las mesmo com atraso."