A revolução prometida pelo advento da Inteligência Artificial já é realidade, mas ainda há quem defenda a proibição da tecnologia nas escolas. Para especialistas que participaram da mesa Da inclusão digital à transformação social: como a educação cria novas oportunidades, nesta quarta-feira, 5, da Rio Innovation Week, o letramento digital de alunos e professores é a única resposta possível para garantir o bom uso da ferramenta.
Participaram do painel a diretora de pós-graduação digital da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), Andrea Paiva; o secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio, Gabriel Medina; o professor da Faetec Gustavo Guanabara; e o coordenador do programa Cristo Educação, do Cristo Redentor, Lucas Werneck.
"Tivemos saltos tecnológicos gigantescos com o advento da internet e, agora, da IA, mas ainda não resolvemos alguns gargalos importantes", afirmou o secretário Gabriel Medina. "Tem gente que não tem nem computador, nem banda larga; sobretudo o 1/3 da população que vive em favelas. O gargalo de infraestrutura e acesso é gigantesco, temos ainda muitas coisas básicas para resolver."
Mas o problema vai muito além de dar acesso, como lembrou Gustavo Guanabara. "Não que dar acesso seja fácil, porque não é, é difícil para caramba", frisou Guanabara.
"Mas mais importante ou pelo menos tão importante quanto é educar a pessoa para saber usar bem a ferramenta e se esquivar dos picaretas na internet. O que mais tem hoje é picareta vendendo alguma coisa; isso foi ainda mais potencializado com a IA, que tornou possível, por exemplo, criar um curso inteiro em poucas horas, sem nenhuma preocupação pedagógica, apenas para ganhar dinheiro. Porque a IA faz coisa boa muito rápido, mas também coisa ruim."
Lucas Werneck concordou com os colegas. "Não se trata apenas de dar equipamento, mesmo vivendo em uma realidade em que 1/3 da população ainda não tem acesso", afirmou. "Mas temos também que fornecer a cultura da tecnologia. Por exemplo, o site gov.br serve para quase tudo, mas se andarmos 15 quilômetros para fora do Rio a gente identifica vários locais em que as pessoas não têm documentação; ou seja, essas pessoas não têm serviços básicos e benefícios do governo porque não têm acesso."
Em apenas dois anos, especialistas preveem um grande salto no desenvolvimento da IA que pode, inclusive, acabar com muitos postos de emprego. "Acho que a IA vai tirar empregos como toda tecnologia, mas vai criar outros; por isso, precisamos nos especializar", afirmou Guanabara. "O que mais vejo não é professor interessado em saber como vai usar a IA nas suas aulas ou construir conhecimento com seus alunos, mas sim querendo proibir a ferramenta a qualquer custo. Proibir a IA em sala de aula é como proibir um martelo em um curso de marcenaria."
Werneck destacou a importância da formação dos professores em todo o processo. "A formação dos professores é fundamental", afirmou. "Daqui a alguns anos, tudo indica, vai faltar professor, e o professor é a base de tudo isso que queremos construir."