Delegados aprovam paralisação de 82 horas da Polícia Federal a partir desta quarta (25)

Com quase 95% de aprovação, delegados federais suspendem atividades para cobrar o envio do projeto FUNCOC, que utiliza bens apreendidos do crime para financiar a segurança pública

24 mar 2026 - 13h30

Os delegados da Polícia Federal (PF) decidiram cruzar os braços em uma mobilização nacional que promete paralisar as atividades da corporação por 82 horas. A paralisação, aprovada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), terá início nesta quarta-feira (25) e deve impactar serviços essenciais, como a emissão de passaportes em todo o país.

Polícia Federal: delegados aprovam paralisação
Polícia Federal: delegados aprovam paralisação
Foto: Divulgação/Polícia Federal (PF) / Perfil Brasil

A decisão foi consolidada após uma Assembleia Geral Extraordinária realizada no último dia 20 de março, que reuniu 1.045 delegados associados. O movimento, batizado de "82 horas sem a PF", obteve uma aprovação expressiva de 94,9% dos votos. Durante esse período, apenas atendimentos de emergência, como flagrantes e situações de violência ou grave ameaça à pessoa, serão mantidos pelos agentes.

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Paralisação da Polícia Federal

O motivo central do protesto é a falta de avanço no encaminhamento do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). Considerado um projeto estruturante para o fortalecimento da segurança pública, o fundo propõe uma lógica de autofinanciamento: utilizar recursos confiscados do próprio crime organizado para custear as operações policiais. Essa medida garantiria previsibilidade orçamentária para a Polícia Federal sem a necessidade de criação de novos impostos para a sociedade.

A ADPF alerta para a importância do Fundo, já que o crime organizado movimenta cerca de R$ 348 bilhões por ano no Brasil. "Trata-se de uma medida que não impõe novos custos ao Estado, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade operacional das instituições responsáveis por proteger a sociedade brasileira", diz a associação.

Em nota oficial, a ADPF destacou que o resultado da votação reflete o compromisso da categoria com a busca por condições adequadas de trabalho e com o fortalecimento institucional do combate ao crime. A associação afirmou que seguirá conduzindo a mobilização com firmeza, buscando soluções duradouras que garantam a eficiência do Estado no enfrentamento às organizações criminosas no Brasil.

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