Crise no PL: cúpula do partido dá prazo de 15 dias para avaliar futuro da candidatura de Flávio Bolsonaro

A ala governista do PL demonstra forte incômodo com versões desencontradas sobre o caso Daniel Vorcaro e já avalia alternativas para a disputa presidencial caso surjam novos fatos

20 mai 2026 - 11h00

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República 'subiu no telhado'. Neste momento, entra em um período crítico de avaliação interna. Não era pra menos... Pressionado pelas bancadas do próprio partido no Congresso Nacional, o parlamentar admitiu ter omitido um detalhe importante dos aliados: ele realizou uma visita pessoal ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro no final do ano passado, período em que o dono do Banco Master utilizava tornozeleira eletrônica. Assim, diante do desgaste, a cúpula do PL estipulou um prazo informal de 10 a 15 dias para monitorar o cenário e avaliar a viabilidade eleitoral da candidatura.

Após dizer que não tinha relação com Vorcaro, Flávio Bolsonaro admite visita ao banqueiro após primeira prisão do dono do Master —
Após dizer que não tinha relação com Vorcaro, Flávio Bolsonaro admite visita ao banqueiro após primeira prisão do dono do Master —
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução / Perfil Brasil

A nova revelação estremeceu a confiança de correligionários e consolidou o entendimento de que qualquer novo desdobramento que conteste a versão oficial poderá sepultar de vez as pretensões presidenciais do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Flávio Bolsonaro faz pronunciamento sobre encontro

Em pronunciamento realizado em Brasília após uma série de reuniões a portas fechadas, Flávio sustentou que o encontro presencial serviu unicamente para "encerrar as negociações de patrocínio" para a cinebiografia de seu pai, intitulada "Dark Horse". Segundo investigações da Polícia Federal (PF), Vorcaro teria autorizado o repasse de R$ 61 milhões para o longa-metragem.

"Fui, sim, até o encontro dele (Vorcaro). Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele", explicou o senador. "Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco".

Durante uma reunião tensa com cerca de 70 parlamentares da legenda, Flávio pediu desculpas por não ter compartilhado os detalhes anteriormente. Além disso, assegurou categoricamente que "não há mais nada" a ser revelado. A principal linha de defesa adotada pelo entorno bolsonarista é a de que houve imprudência e 'erro político' ao tratar com o empresário. No entanto, ressaltam que não houve 'nenhuma ilegalidade'. A estratégia foi reforçada publicamente pelo argumento de que o senador "jamais" deixaria registros tão explícitos em áudios e mensagens de texto.

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